domingo, dezembro 28, 2014

Frio? Em Portugal?!?

Acabei de ouvir um alerta de tempo frio para a Passagem de ano. No Telejornal, um médico aconselhava as crianças e idosos a não saírem de casa. Ok, eu percebo que ninguém quer apanhar uma pneumonia, entrar em hipotermia nem mesmo apanhar uma constipação.
O que eu não percebo é que durante o resto do Inverno, quando as temperaturas estão dentro da média para a época, as pessoas não saiam de casa por causa do frio.
Ainda há pouco tempo, uma colega minha que nasceu na Suiça, comentava que lhe fazia confusão as mães Portuguesas ficarem em casa com os bebés por causa do frio. Qual frio? Quanto muito, tempo mais fresquinho... Aparentemente, na Suiça, mesmo com neve, os bebés passeiam na rua. Se só saíssem de casa quando as temperaturas estivessem amenas, passavam mais de metade do ano fechados em casa. Coitados!
Agasalhem os pequenos e levem-nos a passear. Provavelmente, temos o melhor clima da Europa. E que tal aproveitarmos isso? Ah... esperem... o frio era desculpa para não terem de levar a criança à casa da sogra? Pronto... Peço desculpa. Para a próxima não digo nada.

sábado, dezembro 13, 2014

Civismo, versão 20.1

Estamos sempre a evoluir e tenho a nítida sensação que hoje somos mais civilizados que há 20 anos. Mesmo assim, posso sempre sugerir uns upgrades que nos facilitariam a vida:

- Encostem-se à direita quando estão parados nas escadas/tapetes rolantes para que as pessoas que vão mais depressa possam seguir pela esquerda. No Metro quase toda a gente faz isto e era bom que esta prática se alastrasse a centros comerciais ou quaisquer outros espaços públicos. Afinal, amigo não empata amigo.

- Na onda do amigo não empata amigo... Desamparem a loja no final da escada ou tapete rolante. Não fiquem parados sob pena de provocarem um choque em cadeia ou serem abalroados por quem não consegue sair das escadas ou tapete rolante.

- Sentem-se num espaço comum de restauração (como há nos centros comerciais) só e apenas depois de terem a refeição. Aproveito para contar uma história: no fim-de-semana passado, no Porto.come, as mesas eram corridas. Fui buscar um prego fantástico e sentei-me num lugar livre. Ao meu lado, com toda a fossanguice, senta-se uma senhora para ocupar o lugar enquanto o seu marido esperava na fila pela sua refeição. Entretanto, as pessoas que comiam ao meu lado acabaram a refeição e saíram. No lugar deles, sentou-se uma família com os respectivos pratos. A seguir acabei a minha refeição e saí. Onde eu estava, sentou-se um casal que já comia de pé. E, enquanto dois grupos de pessoas se revezaram, a senhora mantinha-se firme, a ocupar o lugar que só precisaria quando o seu marido saísse da fila que não parecia querer avançar. Ora se toda a gente se sentar apenas quando tiver as refeições e se levantar logo que as termine, a rotatividade destes lugares fica garantida e dá para todos nos sentarmos. Mas enquanto houver pessoas que ocupam uma mesa assim que chegam, esse lugar ficará ocupado durante mais tempo e quem chegou antes, se não tiver ocupado uma mesa também, não terá lugar para se sentar. Se toda a gente fizer o mesmo, rapidamente chegará ao ponto de não haver lugares para mais ninguém. E se não houver lugares para sentar, as pessoas não vão comer ali. E se as pessoas não comerem ali, não gastam o dinheiro naqueles restaurantes. E se os restaurantes não ganharem dinheiro, não podem pagar aos funcionários. E se não pagam aos funcionários, é porque estão falidos. E se estão falidos, fecham. E se fecham, há mais gente desempregada.
Resumindo, abancarem no centro comercial assim que chegam, para ocuparem lugar enquanto alguém vai buscar a comida, aumenta a taxa de desemprego. Parem com isso.

- Não furem as filas. Parece mentira mas ainda há quem o faça. É certo que já foi bem pior mas, de vez em quando, lá aparece alguém menos civilizado que tenta ser atendido antes dos outros que já lá estavam. Pior! Quando há uma fila de trânsito e um chico-esperto resolve ir pela berma. Apesar disso, tenho a impressão que em centenas de carros, deve haver só um que faz isto. Mas, e se houver algum veículo em marcha de emergência que precise efectivamente de usar a berma? Este apressado já estaria a atrasar quem tem muito mais pressa que ele!

É verdade que somos civilizados e há muito turista que podia aprender umas coisas connosco (ainda hoje ia albaroando um casal de turistas no final dumas escadas rolantes), mas só nos falta um danoninho para sermos mesmo exemplares.

sábado, dezembro 06, 2014

O turismo de carneirada

O turismo de carneirada é uma modalidade que só descobri este ano mas tenho muita pena de não a praticar desde sempre. Não estou a falar de viagens organizadas nem das visitas guiadas por uma senhora de chapéu de chuva fechado e espetado no ar.
Estou a falar daqueles passeios turísticos que fazemos sozinhos ou com o(s) nosso(s) companheiro(s) de viagem mas que chega sempre a um impasse numa certa altura. Sigo em frente, vou para a esquerda? Ou para a direita? Ai que agora já não há setas para a atracção turística. Saco do mapa ou do smartphone? Nada disso!!! Sigam a carneirada. Não tem nada que enganar. Se virem pessoas com mochila ou máquina fotográfica em punho, sigam-nos.
E porque é que esta técnica não falha? Porque quando estamos numa zona turística, vamos inevitavelmente estar rodeados de outros turistas. É altamente improvável sermos os únicos turistas num sítio destes. Se seguirmos a carneirada vamos sempre encontrar a atracção turística que procurávamos. Se forem preguiçosos, conseguem fazer uma viagem inteira sem comprarem um guia nem descarregarem uma aplicação turística.
É a preguiça a dar frutos.
Não é que eu não goste de andar perdida. Já descobri uns tesourinhos bastante interessantes por me perder. Os jardins do Senado em Praga (Wallenstein Garden) são muito interessantes mas não os descobriria se tivesse seguido a carneirada . Nem a minha casa de chá preferida (U Zeleneho Caje). Nem a entrada duma auto-estrada em Estocolmo (esta era escusada).

sábado, novembro 29, 2014

Cavaco, o director comercial daqui do estaminé

Cavaco Silva, que nalguns meios é conhecido como Presidente da República de Portugal, foi fazer venda a retalho aos Emirados Árabes Unidos.

Ontem, no Dubai, o Sr Aníbal Silva fazia o rol dos seus melhores produtos: "Portugal completou com sucesso um programa de privatizações, mas ainda há mais ativos pendentes, entre eles a companhia aérea, é um tema que está em cima da mesa agora".

Isto, em linguagem de retalhista, é o mesmo que dizer "Olhe, tenho aqui uns tecidos de primeira qualidade em promoção. Já vendemos o cetim mas ainda temos um algodão brocado que faz uma toalha linda."

Pronto, é isto. O que muda é só o produto.

domingo, novembro 23, 2014

E mais Sócrates, só porque sim

Este blog não costuma ter muitos comentários. Mas escrever sobre Sócrates é atear um rastilho. O ex Primeiro-Ministro é das pessoas mais odiadas de todo o sempre.

É raro encontrar alguém a quem Sócrates seja indiferente. Por norma, há sempre uma opinião muito forte e frequentemente essa opinião é negativa... muito negativa.

Lamento mas não partilho esses sentimentos. Também não nutro qualquer sentimento de simpatia pelo homem. Não votei nele tampouco.

Se Sócrates for culpado, obviamente, deve ser punido. Mas não deve ser punido exemplarmente porque a Justiça, conceptualmente, deve ser igual para todos. Se pedimos que a Justiça seja cega para que os poderosos sejam punidos da mesma forma que a população em geral, não podemos pedir que tenha mão mais pesada sobre os poderosos. Sejamos coerentes. Eu sei que peço quase o impossível. Coerência quando se fala de Sócrates é complicado. O ódio tolda a capacidade de pensar racionalmente.



Então tomem lá a opinião duma Senhora que diz tudo isto e muito mais:


A Justiça a que temos direito



De nada!

sábado, novembro 22, 2014

Tenho de fazer um post sobre a detenção do Sócrates

Ontem à noite, Sócrates foi detido à chegada ao aeroporto de Lisboa para ser interrogado esta manhã. Então e porque é que o tinham de deter no dia anterior? Não podiam passar pela casa do ex Primeiro-Ministro logo de manhã?
Claro que as reacções à detenção não se fizeram esperar. Mas sabem o que me irrita mais nisto? É que sempre que eu ouvia alguém culpar o Sócrates pelo estado do País, sabia imediatamente que essa pessoa tinha uma cultura política de taxista. Se Sócrates for acusado (sim, ele ainda não foi acusado), julgado e culpado (sim, antes de ser declarado culpado, é preciso ir a julgamento e ser condenado... num tribunal... por um juíz), ninguém vai convencer esta gente que não podem apontar o ex primeiro-ministro como único responsável por esta crise financeira.
Ah... e eu não votei no Sócrates (pronto, só para que conste).
É que, depois deste aparato todo, depois da primeira detenção dum ex primeiro-ministro, se afinal de contas o homem for inocente, a (parca) credibilidade da Justiça Portuguesa desaparece de vez.
Mas, mesmo que isto aconteça, Sócrates será sempre culpado porque a justiça popular assim o entendeu. E a justiça popular entende sempre que o suspeito poderoso é culpado. Quando se fala do Sócrates então...
Ou seja, se Sócrates for inocente, toda a gente vai achar que se safou por ser ex Primeiro-Ministro e a Justiça em Portugal é uma palhaçada.
Se Sócrates for culpado, será culpado do crime que eventualmente cometeu e de tudo o que correu mal neste país desde a sua governação. O Governo de Passos Coelho ainda será recordado como a legislatura em que a corrupção foi combatida. Mesmo que o Governo não tenha nada a ver com a Justiça e mesmo que tenha sido dos piores Governos da Democracia. Há lá melhor bode expiatório que o Sócrates?

sábado, novembro 15, 2014

Lisboa já tem uma Chinatown

Como toda a gente sabe, todas as cidades grandes metrópoles do Mundo têm uma Chinatown: New York, Montreal, Londres, Melbourne, Paris, Joanesburgo, São Paulo, Buenos Aires...
Aliás, acho mesmo que uma das condições para que uma cidade seja considerada verdadeiramente cosmopolita é ter uma Chinatown.
Lisboa, que é tão ou mais cosmopolita que qualquer uma dessas cidades, não podia deixar de ter o seu enclave chinês.
Ainda me lembro do Martim Moniz ter uma população predominantemente africana e indiana. Aí há uns anos, havia imensa gente que ia lá comprar uns cigarros indianos cujo nome já não me recordo.
Mas, tal como aconteceu em Manhattan, a população chinesa começou a ultrapassar as outras etnias. Em Manhattan, começaram a ocupar Little Italy que agora se resume praticamente a uma rua. Em Lisboa, tomaram conta do Martim Moniz desde o final da Almirante Reis. É difícil encontrar uma loja que não seja chinesa. Provavelmente, dentro de pouco tempo, dominarão completamente a zona.
Por isso mesmo, o Martim Moniz é a Chinatown de Lisboa. Lembram-se de trocarem o nome da estação de metro Baixa-Chiado por publicidade? Qual tal trocarmos o nome ao Martim Moniz? Mas só informalmente, do estilo, "Este Verão vai haver Outjazz em Chinatown". Não dá logo um ar super cosmopolita?

sábado, novembro 08, 2014

Como identificar um turista em Lisboa

Como em qualquer grande cidade, é muito fácil distinguir os turistas dos locais. Viram como considerei Lisboa uma grande cidade? É mesmo assim!
Aqui vão alguns pormenores que denunciam um turista porque nenhum Lisboeta faz isto:

- Usar ténis de desporto com calças de ganga.


- Tentar jantar fora às 18h30.

- Usar um vestido de noite para jantar fora às 18h30.

- Usar saltos altos no Bairro Alto.

- Entrar num restaurante às 15h30 num fim-de-semana e pedir só e apenas um sumo ou um chá.

- Pedir chá no final da refeição em vez de café.

- Parar a meio dum lance de escadas para olhar para o mapa ou o guia turístico (com 20 pessoas atrás deles), parar no meio da Avenida Garrett, parar a meio duma passadeira para tirar uma foto, parar no meio de... Os turistas param nos sítios mais inconvenientes e mais repletos de gente.

- Pedir uma caneca de cerveja em vez duma imperial.

- Ficar bêbado depois de duas canecas de cerveja.

- Sentar-se numa esplanada da Rua Augusta.

- Tirar fotos com um tablet.

- Tentar comunicar em castelhano com os Portugueses mesmo não sendo espanhol.

- Demorar 10 minutos na máquina do Metro a tentar comprar/carregar um Lisboa Viva.

- Esperar que o sinal dos peões fique verde antes de atravessar mesmo que não haja carros num raio de 3 km.

sábado, outubro 25, 2014

Quão difícil pode ser?

Quando alguém quer chamar o elevador e prime ambos os botões.


É preciso tirar um curso?!?!? Prime-se a seta para cima se quisermos subir e prime-se a seta para baixo se quisermos descer. DUH!

sábado, outubro 18, 2014

Ditados populares com gatos

A whiskas dadas não se olha o prazo.


A miar é que a gente se entende.



A necessidade aguça as unhas.



A sardinha mal guardada, faz o gato ladrão.



A felpudez faz a força.



Águas passadas não dão banho ao gato.


Com patas felpudas não se apanham moscas.



Deitar cedo e cedo erguer dá sono e faz-me dormir.


Quem mia, seu mal espanta.


Quem tem medo, compra um cão. Quem não tem, arranja um gato.


terça-feira, outubro 14, 2014

Há assuntos que não deviam ser assunto mas...

Por norma, não me debruçaria sobre uma polémica oca em torno do corpo duma actriz. Por norma, estou-me nas tintas para a gordura a mais ou a menos ou nos sítios errados ou o que quer que tenha a ver com isso. É um não assunto.
A única coisa que importa é que as pessoas sejam saudáveis. Se têm estrias, celulite, barriga de cerveja ou demasiados ossos à vista, é completamente irrelevante. Nunca vi ninguém chegar ao hospital com uma crise aguda de estrias.
E, no limite da minha futilidade, acho que cada um deve vestir o que lhe fica bem.
Mas a polémica em torno das fotos do desfile da Jessica Athayde não são sobre o corpo da rapariga. São sobre fêmeas. Neste momento, esta polémica já deu pano para mangas para um estudo sociológico.
Para começar, aqui fica a foto da polémica:



E como não quero que vos falte nada, tomem lá a verborreia toda sobre a foto: https://www.facebook.com/VoguePortugal/photos/a.149062145113000.23409.137585456260669/864352590250615/?type=1&theater
É tudo público para podermos ver a quantidade de dejectos que estas fêmeas têm naquelas ervilhas.
É que até quem pretende defender a actriz, acaba por demonstrar que está tão formatada como todas as outras que lhe chamaram gorda. Quando alguém diz que a Jessica Athayde não vai gostar desta foto está a assumir que os critérios de beleza da actriz são iguais aos seus e que estão toldados pela mesma lavagem cerebral.
Quando alguém culpa o fotógrafo do ângulo em que a foto foi tirada por alegadamente a desfavorecer, está a demonstrar que também acha que esta foto não é um exemplo dos critérios rígidos de beleza que defende. Dizer que a Jessica Athayde não é gorda como parece ser na foto, não é defendê-la. É assumir que não considera que esta foto mostre uma mulher atraente. É mostrar que pensa que esta figura não cumpre os níveis de exigência impostos para que uma mulher possa andar na passerelle.
Mas onde é que esta foto está horrível? Onde é que este corpo não é perfeito, saudável, tonificado e cheio de curvas femininas?
A luz está impecável, tem a profundidade de campo certa, está bem enquadrada, não tem grão... Quem fotografa a Moda Lisboa sabe o que faz. São os melhores fotógrafos, não é o vosso vizinho que comprou uma reflex de 1000 EUR e acha que a máquina tira fotografias fantásticas sozinha.
Quem é que impõe estes critérios de beleza em que as mulheres não podem ter curvas e têm de mostrar os ossos a furar a pele? Eu garanto que não são os homens porque eles estavam lá a comentar a foto e não era a desdenhar.
E porque é que são as próprias mulheres que são tão rígidas e defendem tão afincadamente critérios de beleza que não correspondem nem às preferências do sexo masculino nem a um corpo saudável? Quais são as motivações destas mulheres para exigirem às pares que tenham um peso abaixo do saudável e mantenham o mesmo corpo que tinham antes da puberdade? Esta ditadura do corpo escanzelado fomenta distúrbios alimentares. O que é que é melhor? Ter duas covas de celulite na nádega direita ou ficar internada no hospital e passar a adolescência no psiquiatra?
Sinceramente,o que eu acho é que a obsessão competitiva das fêmeas está tão entranhada que tudo serve para arranjar defeitos nas rivais. E por rivais, entendam-se TODAS as outras fêmeas. E esta estratégia já provou ser tão má como o memorando da Troika.
Começo mesmo a achar que, umas das principais razões pela qual as mulheres não chegam tão longe como os homens a nível profissional, são as outras mulheres que lhes cortam as pernas antes de terem oportunidade de chegar a algum lado. E pelas razões mais disparatadas: ou porque é magra, ou porque tem estilo, ou porque o marido não tem dinheiro, ou porque os pais têm dinheiro, ou porque tem um casamento feliz, ou porque os filhos são feios, ou porque é mais nova, ou porque é mais alta, ou porque não tem vida social, ou porque vive em Cascais, ou porque consegue engatar qualquer homem que queira, ou porque não teve um parto natural...
E enquanto a maioria das fêmeas pensar assim, os homens vão continuar a ocupar lugares de destaque. Não porque sejam melhores do que uma mulher, mas porque as outras mulheres já minaram todas as hipóteses doutra fêmea lá chegar. E o pior é que enquanto este machismo feminino persistir, é mau para as machistas e é mau para as feministas. Só não é mau para os homens. Mas o que é que isso interessa? As mulheres não querem marcar a diferença no mundo, de qualquer maneira.... a não ser no mundo daquela puta da Maria que costuma ir à fármacia lá ao pé de casa com aquele ar de quem é mais que os outros. A cabra! Mas o filho dela é um mal-educado e o marido deve andar com outras. Ordinária! Com aquela idade e anda de calções...

sábado, outubro 11, 2014

Se nunca passaste por isto... Parabéns, és tu a lesma!

Quando vai uma lesma à nossa frente, não a conseguimos ultrapassar e depois passa no amarelo e nós ficamos parados no vermelho:



sábado, outubro 04, 2014

A justiça da comédia

Os actores profissionais (aqueles que chegam mesmo a estudar artes dramáticas ou teatro) queixam-se que os papéis na televisão são dados a modelos.
Vejamos, por exemplo, a grande escola de actores que foi a série "Morangos com açúcar". Os palminhos de cara com corpinhos tonificados tornaram-se protagonistas de novela da noite e até fizeram teatro.
Na prática, quem quer ser actor tem mais probabilidade de sucesso se começar numa agência de modelos do que numa escola de teatro.
Se for filho ou aparentado doutro actor não precisa de tentar a sorte numa agência de modelos que a família também pode ser uma boa porta de entrada.
Mas no que toca à comédia não há carinha laroca nem família de artistas que valha. E aqui está a justiça da comédia. Ou se tem piada ou não se tem. Não interessa que tenha um corpo escultural se abrir a boca e ninguém esboçar um sorriso. Também não interessa ser filho dum grande actor ou actriz se não tiver piadinha nenhuma.
Na comédia vence quem tem mérito e ter mérito é ter a capacidade de nos por a rir. Vão lá ao canal Q ver quem tem perfil de modelo.
Ok... no que toca a familiares, está lá a irmã do Nuno Markl... mas porque tem tanta piada como ele e é uma das estrelas do canal.
Portugal devia ser como o pequeno mundo da comédia em todas as áreas. Só há lugar para os melhores independentemente do aspecto e da família. E quando os melhores deixam de o ser... substituem-se.... O grande Herman José, que foi tão grande que continuamos a usar frases dos seus sketches mais de 10 anos depois, perdeu muita da piada que tinha e, consequentemente perdeu os programas em horário nobre. Outros o substituíram que, quando perderem a piada, serão também substituídos.

sábado, setembro 27, 2014

Forretas ou attention whores?

Desde que apareceram figuras públicas a aceitar o ice bucket challenge, o comum mortal imitou... como em tudo...
No entanto, em vez do desafio ser doarem dinheiro a uma instituição como a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, era pagarem um jantar aos amigos.
Solidariedade? Que é isso? Então isto não é só para imitar os famosos?!?!
Agora há um novo desafio que incentiva as pessoas a colocarem uma foto da tenra infância ou pagam um jantar. E está toda a gente a publicar fotos em bebé e a nomear amigos.
Mas afinal é tudo forreta e ninguém quer pagar um jantar aos amigos ou é só uma desculpa esfarrapada, um pretexto disparatado, para chamarem a atenção e publicarem mais uma foto deles próprios?
Fica para pensarem porque são horas de jantar e não estou para puxar pelo neurónio.
Para finalizar, aqui fica uma pequena compilação de estupidez:


quarta-feira, setembro 17, 2014

Zomato

O zomato quer receber feedback dos seus utilizadores. Então aqui vai.

Vamos começar pelo que gosto:
- As ementas. Às vezes vamos a um restaurante ou pastelaria e quando lá chegamos, concluímos que não têm nada que nos apeteça particularmente. Ver a ementa antecipadamente, ajuda muito a decidir e evita desilusões!
- Wishlist. Dá tanto jeito! Já não me esqueço dos nome dos restaurantes onde quero ir.
- As campanhas de marketing. São sempre muito divertidas:




E agora aquilo que poderiam melhorar:
- O tamanho das fotos. Quando tiro uma foto enquadro-a no telemóvel, mas o tamanho das fotos no Zomato é demasiado pequeno e muitas vezes não apanha a refeição ou o prato todo. Isto acontece quando adicionamos uma foto a uma opinião. Quando adicionamos apenas fotos, já dá para enquadrar melhor apesar de ficarem sempre mais pequenas. Provavelmente por ficarem quadradas.

 Foto original:



Foto no Zomato:



- Devia ser necessário colocar a data da visita ao restaurante quando se escreve uma opinião. Eventualmente, muitas opiniões são escritas com base em visitas feitas há muito tempo e podem estar completamente desactualizadas, o que acaba por afectar a exactidão da opinião. Bastava o mês e o ano.

- Tenho algumas críticas/sugestões quanto às colecções. A colecção fado parece-me mais indicada para turistas, Se o Zomato está mais vocacionado para as opiniões dos locais, o fado é capaz de não ser uma colecção muito relevante. Tenho que ressalvar, contudo, que eu não gosto de fado por isso, esta opinião pode estar toldada pela minha embirração.
A colecção caracóis de corrida devia ser substituída. Se a época dos caracóis é nos meses sem "r", então já está na altura de actualizar para... quem sabe... cozido à Portuguesa! Outra colecção que poderiam criar seria o Top Zomato com os restaurantes com avaliações mais altas.

domingo, setembro 07, 2014

Ever heard of homebanking?

Quando tenho alguém à minha frente na fila do Multibanco que decide pagar as contas.



Se fosse alguém de 60 anos... mas era uma pessoa com menos de 30!

Eu, quando peço que me enviem uma informação por e-mail e, em vez de fazerem um print screen, tiram uma foto ao ecrã com o telemóvel e anexam ao e-mail.




sábado, agosto 30, 2014

Tiros nos pés nas redes sociais

As redes sociais têm de ser bem geridas. Quer seja o nosso Facebook pessoal quer seja o Facebook da nossa empresa.
Não queremos que o nossos chefe ou potenciais empregadores vejam aquelas fotos da festa em que apanhámos uma bebedeira tão grande que acabámos a orar ao Deus de porcelana.
Também é capaz de não dar bom aspecto fazer publicações públicas daquelas frases cheias de rancor, ressentimento e má pontuação tipo: "Aquele que fala mal de mim para você. Fala mal de você para outros." Além de passarem por analfabetos, não vos favorece na área da inteligência. Um mural cheio destas pérolas e de selfies passa a mesma imagem que umas leggings à Bettlejuice, com um top decotado e sapatinho de salto alto: demasiada informação mas nada que se aproveite.
Para as empresas, isto ainda é mais importante e, se usam as redes sociais para se promoverem, é melhor que restrinjam as publicações no mural ou não entrem sequer nas redes sociais. Vou dar um exemplo: estava a pensar ir experimentar o Restaurante Happy Days em Cascais. Fui à página deles no Facebook e vi más críticas por aumentarem os preços de alguns produtos para o dobro. Achei feio e não fui lá.
Mas o contrário também acontece. Quando estava a escolher um hotel em Paris fui ao Facebook de um dos hotéis e as publicações na página eram tão boas que acabei por reservar esse mesmo hotel e no próprio Facebook.
Resumindo e concluindo, se o vosso Facebook só vos enterra, é melhor reconsiderarem.

domingo, agosto 24, 2014

A cobardia tuga

Os Portugueses podem ter muitas qualidades mas têm defeitos que me irritam profundamente. Um deles é a cobardia.
Quando é preciso afrontar o poder ou contestar os mais fortes, está quieto... Publicam-se uns posts indignados no Facebook mas não passa disso. Atrás do computador são uns rebeldes! Mas quando é preciso gritar e ir para a rua, vão sempre os mesmos.
Aliás, basta conduzirmos 2 carros diferentes para sentirmos um cheirinho desta cobardia. Se eu estiver no meu Twingo com 20 anos e parar numa passadeira para os peões passarem, a probabilidade do condutor atrás de mim reclamar ou apitar é de cerca de 70%. Se eu fizer o mesmo no carro do meu pai que é novo e é um topo de gama, ninguém apita nem que eu mude de faixa sem fazer pisca.
Mas assim que apanham alguém que tem o azar de ter de atender ao público... ui! Vai-te a ele!
Há bocado, estava no serviço ao cliente do Ikea e o sistema que faz a chamada das senhas recuou. Em vez de passar ao nº 154, chamou novamente o nº 150. Eis que o detentor da senha 154 salta para o balcão indicado no ecrã e indigna-se com a funcionária porque ele tem a senha 154 e não foi chamado. A senhora que estava a ser atendida no balcão ao lado junta-se à indignação e ralha com a funcionária.
A rapariga que me atendia vê o meu ar incrédulo a assistir ao arraial e comenta:
- Há pessoas cheias de pressa! - não comentei porque o problema daquelas pessoas não era a pressa, era mesmo a estupidez. Se começasse a falar sobre isso, tínhamos assunto para a tarde inteira e a rapariga não atendia mais ninguém.
Do outro lado do balcão onde eu estava, um casal examinava ao pormenor todas as peças dum móvel. Aparentemente tinham ido devolver ou trocar (nem sei se eles fazem trocas ali naqueles balcões) uma peças que tinham riscos. Para evitar que a empresa sueca os enganasse, examinavam cada pedaço de aglomerado com olho clínico. Sim, porque estão a pagar uma fortuna por um móvel que não pode ter um risco mesmo que não se veja porque fica encostado à parede! Até porque, quando montarem o móvel, é impossível que lhe façam um risco acidentalmente! Aguenta Ikea! Aguentem restantes clientes que terão de ficar mais 15 minutos à espera para que possam examinar cautelosamente cada aresta da madeira! Mas quem tem pressa? É domingo! Ah, não! Esperem! Os senhores do outro balcão estão cheios de pressa e continuam a reclamar da avaria do sistema que chama as senhas. Ou será que reclamam da rapariga que conseguiu a proeza de pôr aquilo a chamar senhas anteriores? Uma coisa eu sei que eles não reclamam: não reclamam a nova lei da cópia privada, não reclamam uma eventual subida do IVA nem reclamam nada junto de quem tem poder.
E até aposto que se tivesse passado uma hora naquele balcão em vez de 5 minutos, tinha material para uma tese de sociologia!

Imposto sobre artigos que podemos importar por um preço mais baixo? Tão esperto!!!

Como sempre, o nosso estimado Governo tem uma ideia brilhante que se traduz num tiro no pé. Com a desculpa de pagar direitos de autor, tomem lá mais um imposto.
Um gadget poderá custar até mais 20 Eur que, mesmo assim, é mais caro que a taxa de transporte da Amazon. E o que é que acontece quando começarmos a encomendar os gadgets em sites estrangeiros? Deixamos de pagar o IVA do produto que encomendámos noutro país que até está no Espaço Schengen e até vende o gadget um bocadinho mais barato. Ou seja, o Governo fica sem a ver a taxa da cópia privada e fica sem ver o IVA.

Os 20 EUR vão ser cobrados na compra de equipamentos multifunções ou fotocopiadoras a laser com capacidade de impressão de mais de 40 páginas por minuto. Ou seja, as empresas que paguem... Se a nova taxa serve para proteger os direitos de autor, parece-me bastante óbvio que sejam as empresas a pagar a taxa mais alta. Esses desgraçados que sacam músicas, jogos e filmes durante o dia inteiro! Além disso, todos sabemos que a impressora do escritório não serve para mais do que imprimir as capas dos CDs, jogos e filmes que foram sacados da net usando o wi-fi pago pelo patrão.

Em suma, decisões inteligentes a que esta gente mentecapta já nos habitou.

sábado, agosto 16, 2014

Lisboa em Agosto

Não gosto de tirar férias em Agosto. Gosto de ficar por Lisboa.
Há lugares para estacionar em todo o lado, não há trânsito, não há quase ninguém a trabalhar, há mesas em todos os restaurantes... É uma paz!
Mas por um lado, ainda bem que é só em Agosto porque se Lisboa fosse esta pasmaceira durante todo o ano, acabava por se tornar um tédio. Assim, consigo dar valor a este ritmo lento sem me fartar.
Consta que o Algarve está a abarrotar. Acredito... Além dos Lisboetas, deve estar lá metade da população do resto do país.
Mas para compensar, Lisboa está cheia de turistas. Como não vivo na zona turística não dou conta da enchente mas basta ir à Baixa para ver que os tugas foram substituídos por estrangeiros. Espanhóis, Britânicos e Franceses por todo o lado. Ah e tal, eu sei que é fantástico termos turistas a consumir e a pagar-nos IVA, os hóteis cheios, etc. Mas não podiam ter feito uma pausa em Agosto?

domingo, agosto 10, 2014

Há hamburguers com muita carne mas pãozinho do bom está mais escasso

Ultimamente, cada espaço de restauração que abre é uma hamburgueria qualquer coisa. Na João XXI, até o restaurante chinês se tornou uma hamburgueria.
E depois há o Honorato, e há a Hamburgueria do Bairro, e há a Hamburgueria Gourmet e a Hamburgueria da Parada...
Só não há é pãozinho do hamburguer tostadinho. E isso, meus amigos, é fundamental. Já não falo do pequeno pepino em pickle. Só peço que tostem a parte do meio do brioche. É tão simples e faz toda a diferença. Acreditem!

sábado, agosto 02, 2014

Ter vergonha de ser Português

Estamos em Agosto, mês dos emigrantes regressarem à terriola onde nasceram e brindarem os locais com situações geradoras de anedotas como a do "Jean-Pierre, tu vas tomber".
Eu também estive de férias mas, como ainda não emigrei, fiz o caminho inverso e fui até aos States. Por acaso não andei por Newark, o bastião da emigração tuga nas terras do Tio Sam, mas há Portugueses espalhados por todos os Estados, aparentemente.
Na Florida, além de Sul-Americanos, também há tugas. Conheci lá uma luso-descendente. Anda na casa dos 40 anos e é filha duma açoriana que, aparentemente se casou com um americano depois de emigrar. Perguntei-lhe se percebia ou se falava Português. Não sabia uma palavra. Nunca tinha estado em Portugal e nem sabia muito bem onde ficam os Açores. São ilhas, expliquei-lhe. Nós somos de Lisboa, a capital, em Portugal Continental. Sorriu. Não devia fazer a mais pálida ideia do que eu estava a falar. Em suma, a mãe desta senhora, apesar de ser Portuguesa e falar certamente Português, não ensinou uma única palavra à filha, nunca deve ter regressado a Portugal e a sua Pátria deixou de ser um assunto. Há pessoas que prezam a sua herança cultural e orgulham-se da sua nacionalidade. Transmitem esta herança aos filhos para que não se esqueçam de onde veio o seu ADN. Não é o caso da mãe desta senhora.
No aeroporto de Miami encontrei vários emigrantes Portugueses. Famílias inteiras com crianças que já nasceram além-fronteiras. As avós e as mães falam Português. As crianças respondem-lhes em inglês. Mesmo que não falem um Português perfeito, conseguem perceber. Mas já são americanas.
Quando digo que têm vergonha de serem Portugueses, falo das gerações mais velhas. Dos que emigraram.
Caminhando numa das loja de duty-free, ia um casal nos seus 30 anos com duas crianças pequenas. Conversavam em Português. Pararam à minha frente, junto à caixa. Eu aguardei. Quando vi que a senhora se mantinha imóvel após os clientes serem atendidos, dirigi-me a ela, em Português, e perguntei se estava na fila:
- What? - Pergunta-me a criatura. 
Acho que não consegui disfarçar o meu ar impaciente, apontei para a fila e levantei uma sobrancelha como se dissesse, "Estás na p*** da fila?!?!". Acho que a minha linguagem corporal foi bastante óbvia porque recebi um aceno de cabeça, negando estar na fila com um ar cabisbaixo. Responder-me em Português? Jamais. O que é que me terá passado pela cabeça para achar que ela falava Português? Afinal, estávamos nos Estados Unidos da América!
Ter vergonha da sua própria nacionalidade é tão disparatado como ter vergonha da profissão honesta do pai ou da mãe. Mas até se percebe. Muito tuga acha muito mais prestigiante ser aparentado com o Isaltino Morais que filho dum padeiro da Pastelaria Versailles.

sábado, julho 12, 2014

Hoje em dia, os sindicatos lutam contra os trabalhadores

Sabiam que, no dia 10 de Julho houve uma manif da CGTP? Não sabiam? Isso é porque dão tanta importância aos sindicatos como à órbita de Neptuno.
Eu não percebo nada de astronomia por isso não sei exactamente como é que a órbita de Neptuno me afecta, mas sei para que serve um sindicato.
Mas há muita gente que dispensa os sindicatos. E não são patrões! São funcionários, assalariados, povo trabalhador que nem sequer desempenha qualquer função de chefia. Então porque é que dispensam os sindicatos? Aí está uma boa pergunta!
Porque é que trabalham 12 horas por dia sem pagamento de horas extraordinárias quando os seus contratos prevêem 7h30?
Porque é que ficam on call durante o fim-de-semana se não têm isenção de horário e o contrato diz que trabalham apenas nos dias úteis?
Porque é que gastam dias de férias quando ficam doentes?
Porque é que fazem tudo isto por um salário abaixo da média para as funções que desempenham?
Porque é que fazem isto numa PME cujo patrão pretende apenas ganhar o suficiente para ter um ordenado e pagar uma casa de férias?
Não... não é voluntariado. Os voluntários costumam apoiar causas nobres e, para mim, aumentar a riqueza do patrão evitando que ele precise de fazer novas contratações está nos antípodas das causas pelas quais vale a pena fazer voluntariado.
Não... não é ser competente. Ser competente é executar as suas funções dentro dos limites de trabalho impostos e ter capacidade de gerir o seu tempo.
Mas as pessoas gabam-se de saírem tarde e trabalharem muitas horas. Assim, o trabalho que desempenham parece mais importante. Tão importante que os torna indispensáveis até às tantas. Tão importante que o patrão nas os dispensa e liga-lhes mesmo durante o fim-de-semana. Tão importantes que têm o e-mail do trabalho no telemóvel e respondem aos e-mails à meia-noite de sábado porque estão sempre em cima do acontecimento.
Ora aqui vai uma novidade: estas pessoas não são funcionários exemplares e estão longe de ser insubstituíveis. São escravos! E daqueles escravos esclavagistas. Dos que defendem o amo e tudo fazem para manter o estatuto de escravos.
Quem faz horas extraordinárias sem remuneração está a oferecer borlas ao patrão. Enquanto o funcionário oferecer borlas, o patrão não terá necessidade de contratar outros trabalhadores para distribuir a carga de trabalho excedente nem vai pagar horas extraordinárias a ninguém. Para quê? Se há alguém disposto a trabalhar à borla, para que é que ele há-de pagar?
 E, o mais curioso é que muitas vezes, estas pessoas trabalham à borla para garantirem a manutenção do seu posto de trabalho. Ou seja, para não ficarem desempregadas. Contudo, enquanto houver quem trabalhe à borla, o desemprego não diminui, o que significa que quem oferece dias e horas de trabalho gratuito porque tem medo de ir para o desemprego, está a contribuir para que as pessoas que estão desempregadas continuem sem emprego.
E isto também é válido para quem aceita estágios não remunerados repetidamente. Há empresas que conseguem ter sucessivos batalhões de estagiários a garantir o funcionamento da empresa à borla! Se ninguém aceitasse estágios não remunerados, as empresas não teriam outra hipótese senão pagar! É a lei da oferta e da procura. É básico!
Também há quem trabalhe mais do que é preciso para tentar subir na hierarquia da empresa, para ser promovido. O problema é que há sempre várias pessoas a pensar no mesmo e só um lugar. Mesmo que algum desses trabalhadores consiga alcançar um posto mais alto na hierarquia, todos os outros ficam frustrados.
E será que vale a pena sacrificar anos de luta pelos direitos dos trabalhadores, por um aumento? Naqueles países disparatados onde a economia cresce e as contas públicas dispensam Troikas, as leis laborais protegem mais os trabalhadores. É curioso... A protecção na parentalidade é muito mais abrangente na Suécia, por exemplo. Será que os suecos fazem horas extraordinárias à borla porque é assim que conseguem mais direitos? Óbvio que não!
Antes do 25 de Abril não havia sequer direito a férias. Os direitos que hoje se encontram no Código do Trabalho foram o fruto de muita luta. E essa luta é a daqueles senhores que vão para a rua tentar acabar com os falsos recibos verdes, com a precariedade e com a exploração. Sim, esse pessoal chato sindicalista que não quer deixar ninguém trabalhar à borla para um amo explorador. Essa praga que luta contra o direito de algumas pessoas prejudicarem outras e a elas próprias!

sábado, julho 05, 2014

Para uns há barmans, para outras há esteticistas!

Sabem aquela cena típica das séries e dos filmes em que alguém entra num bar, senta-se ao balcão, pede uma bebida e desabafa com o barman?
Ora, se forem uma mulher abstémia ou que não gosta de se sentar ao balcão dum bar, têm sempre a vossa esteticista. Há muita gente que substitui o psicólogo pela esteticista. Sai mais barato porque se paga um serviço de estética e leva-se o serviço de psicologia à borla.
Mas também há uma versão diferente desta conversa de centro de estética. Não sei se é uma tendência nova ou se já era frequente e eu só reparei agora. Trata-se da conversa ao telemóvel num volume muito elevado para que toda a gente possa ouvir a conversa. E a conversa não é sobre as dores nas costas, a malvada da sogra, o mau comportamento dos filhos na escola ou a mala da Carolina Herrera que a vizinha comprou. Não... esta conversa é sobre as férias (se houver planos que pareçam finórios) ou assuntos de trabalho super complexos porque o emprego super interessante e cheio de sucesso merece ser partilhado com pessoas que não se conhecem de lado nenhum.
O tempo em que as conversas ao telefone eram um assunto privado está em vias de extinção. Agora fala-se ao telefone como se se comentasse um actualização de estado pública no Facebook. A diferença é que, no Facebook, eu só leio os comentários que me interessam, mas quando tenho uma criatura ao meu lado a berrar que o seu colega está tão preocupado com a situação super delicada do cliente super internacional que até pondera ir num avião super chique ao país do cliente super importante para falar com ele sobre aquele assunto mega delicado... não posso ocultar do meu feed de notícias e isso, é uma realidade desagradável...
Se quiserem desabafar com a esteticista, tudo certo... Mas se quiserem mostrar a toda a gente que está a arranjar as unhas, que não estão desempregadas... então guardem esse assunto para o Facebook para que os outros possam optar por ignorar.

sábado, junho 14, 2014

Os tugas precisam de uma sessão de terapia de grupo

Portugal gosta de quebrar recordes do Guiness com o maior cozido à Portuguesa do Mundo e outras inutilidades afins.
Mas sabem mesmo o que é que era útil? Quebrar o recorde do Guiness da maior sessão de terapia de grupo. Provavelmente, a dimensão desta sessão teria repecussões negativas na sua eficácia, mas lá que era útil, era!
A falta de auto-estima e complexo de inferioridade tuga é patológico. Sabem aquela pessoa de quem toda a gente gosta e é completamente consensual porque é demasiado tímido para contrariar os outros e é tão simpático que chega a ser servil? Essa pessoa representa o típico tuga perante os turistas estrangeiros.
Quando chegamos ao Algarve, parece que mudámos de país. Os cafés servem english breakfast, alguns quadros com a indicação da ementa só estão escritos em inglês, há jornais e revistas britânicos em todas as papelarias, os quartos de hotel só têm livros em inglês, toda a animação é direccionada ao turista britânico.
Paris é a cidade mais visitada do Mundo. Provavelmente a nacionalidade mais comum dos turistas é americana, mas não é por isso que os franceses falam inglês. Aliás, em muitos sítios, por mais turísticos que sejam, os funcionários só falam francês.
Em Itália, é bom que se desenrasquem em italiano ou linguagem gestual. Encontrar alguém que fale inglês é uma aventura. Não é por isso que deixa de ser um dos principais destinos turísticos na Europa...
E os espanhóis? Falar qualquer língua que não seja espanhol em Espanha, é uma garantia de mal-entendidos.
E, curiosamente, o turismo não se ressente por causa disso. E, se o Algarve mantivesse a sua identidade tuga, não perderia turismo. Os turistas vão para o Algarve porque as praias são fantásticas e é barato. E continuarão a ir mesmo que o Algarve deixe de ser uma colónia britânica estival. Aliás, já li críticas de turistas de outras nacionalidades (alemães e holandeses) a queixarem-se que está tudo demasiado direccionado para o turismo britânico.
Esta falta de auto-estima provinciana precisa urgentemente de um terapeuta. 
Receio que, sem uma boa dose de terapia, possa haver um suícidio colectivo do Português e toda a gente passe a falar exclusivamente inglês Mourinho!

sábado, junho 07, 2014

Zomato

Tenho um novo vício, o Zomato. É uma rede social para foodies. Damos classificações a restaurantes, tiramos fotografias à comida (sim, já podem parar de por fotos de comida no Facebook e no Instagram) e escrevemos críticas.
Cá para mim, aquela profissão ridícula de crítico gastronómico tem os dias contados. Onde é que já se viu ser pago para comer?!?!? E pior, ser pago para comer em bons restaurantes mas armado em esquisitinho e picuinhas? E depois, escrever a sua opinião como se fosse um cronista, mas com uma obsessão por comida... Simplesmente ridículo. Ninguém merece tanto sofrimento! É que os críticos gastronómicos não têm um sindicato nem uma Ordem dos críticos. Quem é que defende os seus interesses? Ser pago para comer envolve um risco de AVC altíssimo, colesterol elevado, problemas de fígado, excesso de peso... uma panóplia de problemas de saúde. Sim, ser crítico gastronómico é uma profissão de risco e não pode estar tão concentrada em tão poucos profissionais. O Zomato vem resolver isso.
Antevejo um futuro em que as estrelas Michelin são atribuídas com base no Zomato e no Trip Advisor!
Aproveito ainda para dizer que vou deixar de escrever sobre restaurantes no blog. Apesar de um dos posts mais lidos ser o da Pizaria do Avillez, o Zomato agora tem a minha exclusividade.

(Depois desta notícia bombástica, tinha alguma esperança de ouvir uma exclamação de desilusão mas, estranhamente nem oiço grilos...)

sábado, maio 31, 2014

Shame on you, Seguro!

Seguro não se demite mas abre possibilidade de uma liderança a dois no PS - Política - Jornal de Negócios

Depois desta notícia, a minha imagem de António José Seguro é esta:





Larga Tozé! Não, Tozé, largaaaaaaaaaaaaaaa!

Tão triste... Ser desesperado e agarrado ao poder é tão feio!

Sim, Tozé, nós percebemos que não fizeste mais nada na vida senão dedicares-te ao partido e, muito provavelmente, a tua carreira política acabou de atingir o auge e daqui para a frente é sempre a descer, mas o desespero é tão mau! Sim, Tozé, apostaste tudo no mesmo cavalo e o bicho é coxo (sim, o cavalo és tu, Tozé). Mas certamente encontrarás outros cargozitos no aparelho partidário. Uma Câmarazinha Municipal (se alguém te eleger), o lugarzinho na Assembleia da República...

Sim, tu és um privilegiado, Tozé. Há muita gente, bem mais competente que tu, que não chega a deputado.

Ah e tal, o pessoal já não te curte e agora querem outro secretário-geral. Pois... choramos contigo, Tozé, mas vai lá à tua vidinha e deixa o lugar livre para o próximo.

Logo se vê se será tão mau como tu tens sido. Mas, se não desamparares a loja, o pessoal vai ter de te despejar e, mesmo que o próximo seja tão mau como tu, já ninguém te vai curtir, Tozé. Baza!

sábado, maio 24, 2014

Abstenção não é revolta, é desinteresse!

Amanhã há Eleições Europeias e já li imensas intenções de abstenção como "voto" de protesto.
Metam na cabeça, de uma vez por todas, que a abstenção não pode ser interpretada como protesto. Aliás, a abstenção pode ter tantas razões que não pode ser interpretada: está sol, está chuva, foi atropelado a caminho do local de voto, esqueceu-se que havia eleições, deixou tudo para a última hora e apanhou a mesa de voto fechada, não quer saber de nada e se vivesse numa ditadura era indiferente, não concorda com a partidocracia, é anarca, imigrou mas continua a votar em Portugal, entrou em trabalho de parto ao sair de casa para votar, apanhou salmonelas e não consegue sair da casa de banho...
As hipóteses são tantas que o abstencionista não pode esperar que se use uma bola de cristal para se dividir a abstenção em abstenção dos preguiçosos e abstenção de desiludidos e revoltados.
O voto em branco é o voto de protesto. É ir lá demonstrar que nenhum dos Partidos serve, que não há nenhum que represente o eleitor.
Por isso, vão lá e votem. Seja num partido ou seja em branco... Mas votem! Se não votarem, é só a democracia que perde.

sábado, maio 17, 2014

A nova moda de viajar

Há uns tempos, o Bruno Aleixo dizia no seu programa que, hoje em dia, quem não viaja não é gente.
Toda a gente TEM de fazer viagens.
Isto seria positivo e enriquecedor se as pessoas não o fizessem porque TÊM de o fazer. Porque TÊM de encher o Facebook de fotos e porque TÊM de dizer que já estiveram naquela cidade onde os amigos vão daqui a dois meses. E mais não seja, porque TÊM de ter tema de conversa.
Há muitas razões para se viajar mas, TER de viajar, não é uma delas.
Não se viaja por obrigação. Porque é que alguém há-de gastar dinheiro, tempo e solas de sapatos para mostrar a pessoas que mal conhece ou de quem nem gosta, que é viajada? É rídiculo. É tão ridículo que achei que o comentário do Aleixo tinha sido disparatado. Mas... não é! É verídico. Quem é que já esteve em Paris ou Londres durante um fim-de-semana para tirar uma foto em frente à Torre Eiffel ou junto ao Big Ben? Lembram-se dessa pessoa que não gastou um tostão em entradas em museus ou monumentos mas tem o Facebook carregadinho de fotografias tiradas em frente às principais atracções turísticas? Sim, essa é a pessoa que TEM de viajar. Essa é a pessoa que vai, para dizer que já lá esteve. Não que estivesse muito interessada na cultura, na gastronomia, na paisagem, na arte, na arquitectura ou na história. No fundo, o único interesse desta pessoa é não se sentir inferiorizada ou excluída. Se os outros vão... então lá vai ela também.
Mas não façam confusão porque há sempre quem tenha uma necessidade insaciável de conhecer, de descobrir, de aprender, de fugir da sua realidade, de abrir o espírito a sítios e a pessoas completamente diferentes. Provavelmente são aquelas pessoas que gastaram o primeiro ordenado numa viagem. São aqueles que poupam todos os tostões para poderem passar 2 semanas e meia na China em vez de lá ficarem só 2 semanas. Para poderem ir a mais uma cidade. Para poderem alugar o carro por mais uns dias e fazerem a costa da Croácia toda. Para poderem comprar um voo interno e assistirem a um festival anual de novas bandas em Austin. Para poderem sair de Istambul e andar de balão na Capadócia...
Não, não é aquela pessoa que apanhou uma promoção para ir a Barcelona no fim-de-semana, desceu as Ramblas e saiu de lá sem ter entrado em nenhum edifício do Gaudi.

sábado, maio 10, 2014

Portugal é um pais de corruptos


Em Portugal a corrupção é aceite, é comum e está tão interiorizada que eu diria mesmo que se trata dum problema endógeno.

Há certas práticas desonestas que a maioria das pessoas nem sabe que são ilegais.

Se pensarmos bem, é frequente vermos tentativas de detentores de cargos de poder público, de tirarem vantagem do poder que lhes foi atribuído pelo povo. E o povo acha que esse tipo de comportamento é normal e ninguém contesta nem denuncia.

O mais famoso de todos é a cunha dos familiares que, em linguagem bonita e técnica, se chama nepotismo. Numa empresa privada, naturalmente, não é crime nenhum. O dono da empresa é que a gere e o dinheiro é dele. Se ele quiser contratar a família toda, é lá com ele. Há imensas empresas familiares por todo o lado.

Mas se um autarca contratar a esposa, a filha, o genro, a sobrinha ou o cunhado, aí o caso já muda de figura. Nós não andamos aqui a sustentar a família do presidente da Junta que não tem capacidade para arranjar emprego honestamente!

Nas empresas públicas também é comum verem-se gerações da mesma família levarem o ordenado do mesmo sítio. Também é coisa para ser irritante, ver a filha do Director de Recursos Humanos chegar a directora do Departamento Jurídico com menos de 30 anos e um canudo tirado com média de 11 numa universidade privada manhosa. É que, certamente, haveria profissionais melhores para aquele cargo e, se pagamos os ordenados deles, é bom que sejam bem escolhidos. Isto parece óbvio mas a verdade é que já toda a gente ouviu comentários como:

- Ah! O Fulano de Tal é filho do Sicrano que é o Presidente da Câmara de Penicos do Meio. Esse gajo tem emprego garantido.

E pronto, isto é normal. Mesmo que o Fulano de Tal seja um acéfalo inútil e o seu ordenado seja pago por quem elegeu o Sicrano, toda a gente sabe que a vida é mesmo assim. No fundo, só têm pena de não serem aparentados dum detentor de cargo público. Sim, porque o que os fará eventualmente criticar o favorecimento do Fulano de Tal não será o nepotismo... será a inveja!

Aliás, há um historial público de nepotismo que não teve quaisquer repercussões. O Sr. Luís Montez, que comprou o Pavilhão Atlântico a preço de saldo, é genro do nosso estimadíssimo Presidente da República. E, questiono-me eu, que outros meios públicos terão sido utilizados por este Sr., para fins pessoais?

Mudando de assunto, e o peculato? Mais concretamente, o peculato de uso? Este palavrão é um crime que consiste na utilização, por funcionário público, de veículo ou outra coisa móvel de valor apreciável para fins alheios àqueles a que se destinam, independentemente de o fim visado pelo agente se ter ou não concretizado. Sabiam? Andar no carrinho que o Estado atribuiu, para tratar de assuntos pessoais, é crime! Mesmo que seja para ir buscar os filhos à escola ou jantar fora com o cônjuge!

Reza ainda, aquele documento utópico chamada Código Penal, que o funcionário que ilegitimamente se apropriar, em proveito próprio ou de outra pessoa, de dinheiro ou qualquer coisa móvel, pública ou particular, que lhe tenha sido entregue, esteja na sua posse ou lhe seja acessível em razão das suas funções, é punido com pena de prisão de 1 a 8 anos, se pena mais grave lhe não couber por forca de outra disposição legal.

E será que o motorista que o Estado atribuiu a um determinado funcionário, pode ser considerado coisa móvel? Se for, é igualmente crime, mandar o motorista ir buscar roupa à lavandaria ou comprar a prenda dos filhos que ficou encomendada numa lojinha mesmo ali ao lado.

E será que a funcionária da loja onde a prendinha das crianças foi comprada, pensa que o seu cliente, detentor de um alto cargo público, está a cometer um crime por usar o carrinho do Estado para ir a todo o lado, ou por mandar o motorista ir buscar a dita prendinha? Até parece que a estou a ouvir:

- O Dr. Não Sei Das Quantas? É uma pessoa muito simples! Às vezes vem cá comprar umas prendinhas para os filhinhos. Quando o trabalho está mais apertado... sabe como é... coisas do Governo... manda cá o motorista, que é duma educação... Sim, senhora!

E pronto, a senhora ia lá denunciar o peculato dum cliente tão simpático. Que mal tem? Há aí outros bem piores que não vão presos. É tão bom conhecer um Dr. assim importante. Quem sabe se um dia não lhe arranja qualquer coisinha lá no Ministério para a Joaninha que entrou agora na faculdade?


É assim. O próprio umbigo e uma eventual vantagem individual são sempre muito mais importantes que a Lei. Os outros, se pudessem, até faziam o mesmo!

E quando o detentor de um alto cargo público tenta influenciar o Zé Povinho a fazer o que ele quer, mencionando apenas a sua profissão?

- Ah vai interromper o fornecimento dum determinado serviço porque eu não o paguei? Isso é lá consigo, mas olhe que eu sou Assessor do Ministro! - e se calhar esta ameaça funciona porque a pessoa que ouve isto pensa logo nos conhecimento que o Sr. Assessor tem e que lhe podem custar o emprego. É irónico que numa situação destas, o prevaricador consiga impunemente ameaçar o Zé Povinho, graças ao qual detém o cargo, que utiliza para prevaricar. E porque é que esta ameaça é feita tão naturalmente? Porque a Justiça Portuguesa continua a ser a miséria que se sabe e, neste caso, a vítima tem mais a perder que o criminoso.

Mas vamos continuar assim porque, como se sabe, um Pais com níveis de corrupção jeitosos mantém-se mais pobre e mais desigual. Alguém pretendia que nos comparassemos com a Escandinávia? Claro que não. Que disparate! Um sítio com um clima daqueles... O nosso sol é que é!

domingo, abril 27, 2014

25 de Abril - a fuçanga 40 anos depois

Para celebrar o 25 de Abril choveram cravos no Terreiro do Paço.
Não havia uma multidão mas a Praça do Comércio estava composta.
Assim que o helicóptero começou a lançar cravos e a multidão percebeu a direcção do vento, foi a corrida ao cravo! São cravos à gosma!
Tugas a atropelaram-se para apanharem mais flores. A celebração do 40º aniversário da Revolução ficou marcada pela fuçanguice. Era vê-los com molhos de cravos na mão, radiantes porque tinham conseguido atropelar o próximo e apanhar mais flores gratuitas.
- Para quê? - questionava-me eu que tenho a mania estúpida de tentar arranjar explicação para tudo. Ora, para quê? Raio de pergunta... Porque é à borla! Não interessa que sejam alérgicos a flores ou que aquilo morra num instante e acabe no caixote do lixo. Interessa que não tiveram de pagar nada e quem conseguir arrecadar mais borlas, é mais esperto que o próximo.
Porque estas pessoas são aquilo a que chama vulgarmente chico-esperto. São aqueles tugas que se gabam de fugir aos impostos, são os que fazem 50 km para ir ao supermercado que está com uma promoção de 10% em cartão e gastam mais dinheiro em gasolina do que o valor que pouparam na promoção, são os que aproveitam a promoção daquela viagem ao Brasil em Agosto que fica muito mais barata que a viagem da vizinha no Inverno passado... Basicamente, estes chico-espertos não pensam a longo prazo, não planeiam, não pesam os prós e os contras...
E depois? Depois a reforma é miserável porque declaravam o ordenado mínimo e o patrão pagava o resto por baixo da mesa. Depois o subsídio de desemprego é metade do ordenado porque a empresa era tão fixe que pagava um ordenado baixo mas inventava uma ajudas de custo impecáveis! Depois o carro só sai de casa no início do mês porque a dia 15 já não há dinheiro para a gasolina. Depois as férias foram uma porcaria porque no Brasil é Inverno em Agosto e mais valia ter ido para a Fonte da Telha que ficava bem mais barato.
O 25 de Abril foi há 40 anos mas ainda não conseguimos recuperar todo o atraso de décadas de ditadura e atraso civilizacional. As gerações de analfabetos que viviam em condições sub-humanas já tiveram netos nascidos com qualidade de vida, liberdade e educação, mas as mentalidades são sempre as últimas a mudar.
Enquanto estes tugas não perceberem que o "desenrasca" não é uma virtude, continuarão a dever muito ao civismo.
Desenrascar significa livrar-se de dificuldades com facilidade. Isso é bom... mas o que era mesmo óptimo era prever as dificuldades para as evitar e não ter de se desenrascar. A isso chama-se inteligência.

domingo, abril 20, 2014

Mas já não se pode gozar o fotógrafo amador que faz uns books assustadores a preços de amigo?

Esta semana abriu uma página no facebook chamada "Escrotos fotográficos". O nome é infeliz mas com 5000 likes nalgumas horas, o autor da página reconhecia que já era tarde para mudar.
A página reunia algumas fotos que estavam em páginas de pseudo-fotógrafos no Facebook .
Todas as fotos eram públicas e o autor da página fez questão de manter as fotos intactas com as assinaturas, marcas de água ou símbolos de copyright.
A especialidade destas fotos é que eram más. Mas hilariantes de más. De ir às lágrimas de tanto rir!
O autor acrescentava, na descrição da página, que as fotos publicadas não visavam gozar as modelos mas a má qualidade dos fotógrafos que tinham comprado uma máquina no OLX e pensavam que já eram profissionais.
Só para terem uma noção:



Este senhor não faz a mais pálida ideia do que anda a fazer mas esta foto, mesmo com esta edição bimba, é das menos divertidas. Toda a diversão está na página do facebook do sr. onde todas as fotos são públicas. Yay!
Os "Escrotos fotográficos" tiveram ainda o cuidado de publicarem uma foto duma jovem a pousar com um polvo. Porquê um polvo? Para imitar o Julian Murray? Há pessoal com uma auto-estima valente! Mas eu sou tão generosa, que até disponibilizo aqui a página.
Ora bem, o problema desta página foi o seu período de vida: inferior a 24 horas. Uma tristeza. Os comentários às fotos já eram tão divertidos com as próprias fotos.
Ah e tal, mas deve ter ferido a susceptibilidade de alguém que denunciou a página e kaput.
Então e o cyber bully? Ninguém pensa no cyber bully? E agora como é que vamos chorar a rir com o photoshop saloio que põe a foto duma criancinha com a boca aberta de onde sai essa mesma criancinha a descer um escorrega?
E a grávida com uma foto de fundo da sua prória barriga, de perfil, e com efeito espelho? Há lá coisa mais foleira?
Mas não... alguém tinha de denunciar a página e lá se foi a diversão.
Ninguém percebeu que o fundador desta página estava a fazer serviço público.
Estava a denunciar amadores incapazes, que nunca deveriam receber um tostão para tirar uma fotografia.
Desde que existe fotografia digital, estas aberrações não cessam de aparecer.
Tenho um exemplo duma noiva que contratou uns "fotógrafos" para lhe fazerem o casamento. Foram caros e tinham equpamento xpto por isso ela assumiu que eram fantásticos. Quando vi o resultado final, achei fantástico que não conseguissem fazer um enquadramento decente e que usassem uma objectiva olho de peixe para apanharem toda a gente numa fotografia de grupo. Mas... Tinham tantas lentes e foram tão caros que não podiam ser maus! E quem sou eu para contestar este argumento? Alguém que sabe tirar fotografias, querem ver?
Ora, como o público não tem conhecimentos suficientes para diferenciar o bom do fraquinho, é preciso deixarem o difícil trabalho de julgar a qualidade fotográfica dos wannabes para o resto da comunidade.
Enquanto impedirem a população de prestar este tipo de serviço público, continuarão a ser enganados e a fazerem figuras de ursos.

sábado, abril 12, 2014

Sou só eu ou a menina do "Prato do Dia" é mesmo irritante?

Todos os malucos têm a sua mania. Eu, confesso, tenho uma pequena obsessão com comida. Por isso, tenho a televisão no 24 kitchen com frequência.
Só quando começa o "Prato do dia" é que a minha mão procura, rapidamente e com alguma ansiedade, o comando da televisão. E aí, mudo de canal e tudo fica melhor.
Lembro-me de terem anunciado um casting, há para aí um ano. Percebi depois que o resultado do casting tinha sido esta Filipa Gomes. Eu até acredito que a rapariga seja uma pessoa adorável...mas não nasceu para apresentar rigorosamente nada!
Mas se formos ao Facebook do 24 kitchen, só leio comentários de espectadores a elogiar a rapariga. Aí penso "serei só eu que não consigo ouvir a miúda?".
Comentei com outras pesoas que vêm o canal e confirmaram que não viam o programa porque a apresentadora era demasiado má.
Num casting com 230 pessoas, não houve ninguém que conseguisse apresentar receitas sem falar como se estivesse a ser vista por crianças? Ou a selecção foi simplesmente mal feita?
A rapariga é artificial, forçada, tem uma série de trejeitos e afectações estranhas e não melhorou nada com o passar do tempo. Aquele estilo rockabilly é demasiado forte para ser repetido até ao exaustão. Enjoa!
Não há espontaneidade, nada ali é natural, é só... irritante.
Eu até podia dizer que as receitas salvavam o programa... mas não sei... a Filipa impede-me de ver as receitas!

sábado, abril 05, 2014

Se a Carrie Bradshaw vestisse na Bershka e calçasse na Seaside, era assim... sei lá!

Eu não li o livro da Margarida Rebelo Pinto, "Sei lá". Trata-se duma questão de higiene mental. Não sei qual é a história mas desconfio que é o Sexo e a Cidade em reles.





















Pelo cartaz de promoção do filme, a roupa é da Bershka que não há orçamento para alta costura! E entre as protagonistas há apresentadoras, cantoras e ex-modelos em vez de actrizes.
Podia ser uma mau original... mas é pior... é assim, sei lá, como se alguém rescrevesse os Maias e em vez do "Ramalhete", existisse um apartamento na Damaia.

domingo, março 30, 2014

Peixinho gourmet, não?

Como já toda a gente reparou, a comida agora é toda gourmet. Temos pregos gourmet, padarias gourmet, tascas gourmet, pastelarias gourmet, mercearias gourmet, leitarias gourmet, hamburguerias gourmet, qualquer porcaria é gourmet independentemente de ser mesmo gourmet ou uma invenção pretenciosa intragável! Qualquer dia, até temos roulotes a venderem sandes de torresmos gourmet!
Mas peixarias que é bom, está quieto. Em Lisboa, há uma meia dúzia! Quem quer peixe tem de ir ao supermercado ou acordar suficientemente cedo para ir ao mercado (ou à "praça" como diz a minha avó).
As peixarias aqui do Areeiro e Alvalade fecharam. Possivelmente porque toda a gente passou a comprar peixe nos hipermercados... Se fecharem o mercado de Alvalade também, está o caldo entornado!
Em Paris não é assim. E se há sítio verdadeiramente gourmet é a capital da França! Aliás, a própria palavra gourmet tem origem francesa. E sabem o que é que há em Paris? Peixarias! Em todo o lado! Há a loja na rua, há a banca na feira de domingo, há peixe fresco e mariscos em cada esquina e não estão dentro duma grande superfície comercial qualquer.
Querem armar-se em gourmets? Abram uma peixaria! Não é difícil... Basta terem peixinho fresquinho e um espaço lavadinho. Se acharem que ainda convence alguém, chamem-na peixaria gourmet... Pode ser que também atraia os wannabes...

domingo, março 09, 2014

O meu Facebook mostra-me como é possível tornar o Dia da Mulher, ridículo!

Hoje é dia da Mulher. Não é o dia da esposa, não é o dia da mãe, não é o dia da gaja com umas pernas giras nem o dia dos ramos de flores. É o dia da Mulher!
E o dia da Mulher pretende prestar homenagem às heroínas que se revoltaram e lutaram por melhores condições de trabalho. Serve para celebrar as conquistas das mulheres na luta pela igualdade.
Por isso, dar florzinhas à esposa que passa a vida a desempenhar tarefas domésticas e a criar os filhos sózinha porque o marido não mexe uma palha em casa, é rídiculo. Isso não é homenagear a fêmea da casa, isso é relembrar porque é que ainda é preciso existir um dia da Mulher.
O problema é que a própria esposa aprecia este gesto e até vai contar às amigas que o inútil preguiçoso de lá de casa, é tão bom marido, que passou o dia no sofá mas teve a sensibilidade de apanhar uma flor do canteiro da vizinha quando foi ao café enquanto ela lavava a loiça do almoço que cozinhou durante 2 horas! Que bom homem! Há fêmeas de sorte!
Já dizia Simone de Beauvoir, "O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos".
Resumindo e concluindo (foi fácil e rápido): O dia da Mulher é frequentemente celebrado pelas razões erradas. Ser Mulher não é ser esposa, não é ser mãe, não é ser doméstica e muito menos um objecto sexual. Ser Mulher é ser uma pessoa que deve ter a liberdade de optar por ser qualquer uma dessas coisas... ou nenhuma delas... sem ser descriminada por isso.
Pronto... confesso que não consigo colocar as domésticas em pé de igualdade com quem tem emprego, mas um dia destes escrevo sobre isso.

sábado, março 01, 2014

Gostava de ver um programa de culinária em que o chef fosse honesto

Em todos os programas de culinária, os chefs provam os pratos que acabaram de fazer e dizem-nos que estão perfeitos, fantásticos, saborosos, divinais e mais uma série de adjectivos que se podem aplicar a comida.
O que eu adorava era ver um cozinheiro provar o prato que tinha acabado de fazer e dizer:
- Xiiiiiiiiii! Que horror! Está completamente insonso. Esqueci-me do sal.
Ou mesmo:
- Esqueçam. Não experimentem esta receita. Está horrível!
Acham mesmo que nós acreditamos que ninguém se engana no mundo da culinária? Acham mesmo que  os suspiros ficam fantásticos com uma toranja tão amarga que faz as lágrimas virem aos olhos?
Para mim, no dia em que um cozinheiro admitir na televisão que acabou de fazer um prato intragável, os programas de culinária vão ganhar muito mais credibilidade.

domingo, fevereiro 16, 2014

A neve no País das praias

Portugal tem uma grande costa. Quer dizer, grande na medida em que algum pedaço de território terrestre em Portugal pode ser considerado grande... Proporcionalmente grande, pronto.
Quando se fala de Portugal, pensa-se logo em sol e bom tempo. Os britânicos pensarão imediatamente nas praias do Algarve.
Mas Portugal tem neve... tem uma Serra da Estrela com pistas e tudo! Só tem é um problema. As pistas fecham quando há neve.
Quando não há neve, as pistas estão abertas mas os acessos à Torre estão entupidos de bimbos que param na berma assim que vêem gelo. E começam a atirar gelo uns aos outros.
E quando as bermas já estão estão cheias de carros, a estrada fica mais estreita e começam os engarrafamentos. Depois há os toques, porque ninguém sabe conduzir com neve.
E quando começamos a chegar à Torre, há trenós de plástico, há sacos de plástico para fazer sku e... pasme-se... há tampos de sanita, perfeitos para escorregar na neve. Isto é o desenrasca tuga no seu melhor.
As nossas praias estão limpas, bonitas, com bons acessos. Tudo perfeito para os estrangeiros (e os tugas) gastarem o dinheirinho nas férias de Verão.
Já a nossa única estância de ski está fechada sempre que neva.
O que me parece é que para o turismo interno, qualquer coisita serve. Os turistas estrangeiros devem ser uma minoria pequenina na Serra da Estrela. Para quê ir lá? Os Europeus têm estâncias de neve muito melhores e os Brasileiros, se forem à Serra, é porque nunca foram a uma estância de ski a sério.
Provavelmente os Portugueses que frequentam a Serra da Estrela são suficientes para fazer os comerciantes e hoteleiros ganharem o dinheirinho que querem.
Infelizmente, a verdade é que se o tuga quer uma estância de ski a sério, que esteja aberta todo o Inverno, tem de ir deixar os Euritos ali no País do lado.
Tendo em conta que aqui no rectângulo, o turismo continua a ser o sector mais lucrativo, que tal melhorarem os acessos para podermos oferecer condições para os desportos de Inverno? Digo eu... que vou pagar forfaits aos espanhóis porque a Estância de ski do meu país está fechada durante as minhas férias...

domingo, fevereiro 09, 2014

Leggings às riscas. Beetlejuice ou Obélix?

Este é o post fútil do ano.
As leggings às riscas largas horizontais brancas e pretas são horríveis!
Cada vez que vejo alguém com leggings destas, penso no Beetlejuice ou no Obélix. Felizmente ainda não vi ninguém com leggings às riscas azuis e brancas porque senão questionar-me-ia onde andava o Idéiafix.

domingo, fevereiro 02, 2014

SeaMe...not!

O SeaMe é uma peixaria moderna. Logo, o peixe devia ser a especialidade. Devia... mas não é.
Claro que não experimentei a carta toda mas começámos com vieiras com tártaro de manga. Conclusão: porque carga de água é que alguém junta vieiras com manga?!?
Também experimentámos o carpaccio de atum. Era sashimi com um empratamento diferente.
E agora começa a aventura.
Enquanto aguardávamos a chegada do robalinho recheado com presunto e os filetes de Veja com arroz de tomate, serviram-nos uma selecção de sashimi. Recusámos o prato... não tínhamos pedido sashimi. O prato voltou para a cozinha.
Já estávamos há meia hora à espera.
Com as nossas bebidas na mesa (um copo de vinho branco e uma imperial), chega-nos uma garrafa de rosé. Que também não tínhamos pedido. Afinal, desta vez foi só má pontaria. Era para a mesa do lado. E percebe-se a confusão com as mesas porque estão separadas por uma distância de 10 mm. Há tanta informação da mesa da direita e da mesa da esquerda que qualquer cuscovilheira profissional consideraria esta distância contra-producente. As queixas do trabalho da mesa da direita confundiam-se com o relato histérico da viagem a Nova Iorque da esquerda. Não há concentração que resista.
Passada outra meia-hora, chega o robalinho, cozinhado demais, seco... Nem a gordura do presunto o safava de tanto tempo a cozinhar. O presunto não estava seco... estava ressequido!
Os filetes sabiam a filetes. Não é mau... podiam vir a nadar em óleo mas estavam sequinhos. Tão sequinhos como o arroz de tomate.
Entretanto, passavam pregos para todo o lado. Um lombo alto entre duas fatias igualmente altas de bolo do caco. Os vizinhos do lado esquerdo pediram pregos. Uma das funcionárias trouxe dois. Um dos pregos foi para a mesa do lado e o outro foi para o casaco do turista da mesa de trás. Sorte do sr. que regressa à sua terra com uma generosa nódoa no seu blazer de tweed.
Quando a funcionária regressa com um novo prego, os vizinhos comentam:
- Vocês hoje não acertam com o sal. Primeiro foi nas vieiras e agora o prego está salgadíssimo!
Há pessoas ingratas! Eles são é generosos! E são tão generosos que se pedirmos uma Maria Bolacha vem café ao lado. E essa quantidade generosa de café deve estar lá para compensar a ausência total do vinho do Porto que prometiam na ementa. Levamos um copo cheio de chantilly com pedaços de bolacha Maria por baixo. E isto é um problema porque se regarmos o chantilly com o café... fica líquido. Se regarmos as bolachas com café, ficam papa. Se calhar, neste caso específico, a lógica DIY não funciona. Que tal porem o cafézinho onde entenderem e servirem-nos a sobremesa já preparada?
E 3 horas depois de nos sentarmos numas cadeiras concorrentes ao prémio das mais desconfortáveis de Lisboa, podemos finalmente pagar uma conta digna dum restaurante bom. Mas só a conta...
Se calhar o erro foi nosso. Se calhar só o sushi é que é bom. Se calhar é melhor pedir marisco... Mas eu não gosto de marisco - exceptuando as vieiras, claro, que deixavam a desejar.
O que eu sei é que estava uma fila de mais de 10 pessoas à espera. Se estão a repetir a experiência, são masoquistas. Se é uma estreia, vão sair arrependidas.

E sobre as praxes... acham que dá para deixarem de ser acéfalos?

Anda toda a gente a falar sobre praxes por causa do que aconteceu no Meco. Não se sabe se o lamentável episódio teve alguma coisa a ver com praxes mas foi suficiente para lançar a polémica.
Na maior parte dos casos, a praxe não é mais que um grupo de miúdos a fazerem figuras de parvos. E estão todos convictos que a humilhação a que estão a ser sujeitos é um ritual de iniciação importante na sua vida. Defendem o curso deles como se fosse o clube de futebol e o nível de boçalidade dos cânticos e a rivalidade com os restantes cursos está ao nível das claques. É triste vermos que os universitários se comportam como Super Dragões... ou No-Name Boys... ou Juve Leo... não interessa. Na sua essência, tratam-se de grandes grupos de criaturas básicas com sinais evidentes de atavismo. Talvez isso explique que quem mais sobe na hierarquia da praxe seja quem tem mais matrículas. Se os veteranos não manifestassem este atavismo, provavelmente tinham acabado o curso a tempo.
Sempre achei descabido que exista uma hierarquia na faculdade em que os mais burros (ou mais preguiçosos) são os que se encontram no topo. A faculdade não devia estar a preparar adultos para entrarem na vida activa? Não devia promover a meritocracia? Não! Porque estamos em Portugal e, quando esta gente entrar no mercado de trabalho, vai perceber que, em demasiadas empresas, o mérito está sobre-valorizado e há formas muito criativas de conseguir ser promovido. Além disso, há muitas situações em que a antiguidade é um posto.
Mas a praxe em si, não tem de ser necessariamente humilhante. Em 2012, no ISCSP (que por acaso até foi a minha faculdade), foi organizada uma praxe solidária: http://www.iscsp.utl.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1237&catid=157&Itemid=398. Sim, é possível integrar os novos alunos e organizar actividades que marquem a sua entrada no ensino superior sem estupidez, humilhação e demonstrações de frustração sexual!
Outra coisa que reparei é que os maiores adeptos da praxe e da tradição académica são os desterrados. Por desterrados entendam-se os alunos que estão a estudar fora da sua terra.
Os alunos que não conhecem ninguém na cidade onde vão estudar, deixaram os amigos noutras faculdades e a família na terra, estão sedentos de integração e sujeitam-se às palhaçadas todas para conhecerem mais gente e criar vínculos com os outros estudantes na mesma situação.
Para quem não sai da sua terra para entrar na faculdade, o ensino superior não passa duma nova etapa. Tal como foi mudar de escola no secundário e tal como será mudar eventualmente de faculdade no mestrado.
Dito isto, a praxe não é necessariamente má. Tudo depende de como for feita. Se pegarem nos caloiros todos e mobilizarem o espírito de manada para acções de solidariedade ou de responsabilidade social, é possível integrá-los e ajudá-los a fazer novas amizades.
O problema é que os valores - submissão cega, espírito de manada acéfala, tolerância à humilhação, abusos de poder a roçar o despotismo - que a maioria das praxes transmitem não são os valores que queremos que os jovens adultos tenham quando entrarem no mercado de trabalho.
Será que dá para deixarem de ser acéfalos?

sábado, janeiro 25, 2014

Paizinhos: não sejam egoístas e divorciem-se

Não vou falar sobre a co-adopção por casais homossexuais porque... porque não é assunto...
Todas as opiniões que li ou ouvi contra a co-adopção ignoram o bem-estar das crianças e privilegiam o preconceito e a hipocrisia.
E por falar em crianças, preconceito e hipocrisia, será que os pais com casamentos fracassados já perceberam que podem pedir o divórcio? Sim, aquela figura jurídica inovadora que permite às pessoas livrarem-se dum vínculo legal que as une a outra criatura que detestam.
É que, em pleno século XXI, ainda há pessoas que preferem manter um casamento arruinado com uma pessoa de quem não gostam, com quem não querem estar e com quem se dão incrivelmente mal.
Concordo com o ditado "Entre marido e mulher não se mete a colher". Mas acho que quando existe um marido, uma mulher e crianças no meio, o caso muda de figura. Porque as crianças que crescem no seio dum casamento destruído, são crianças que vão sofrer por diversas razões. A mais importante de todas é porque estão num ambiente tenso em que os pais estão infelizes e frustrados. E as pessoas infelizes e frustradas discutem, irritam-se e sofrem. Tudo isso acaba por influenciar os comportamentos das crianças em adultos. E já há gente perturbada que chegue. Ninguém está para aturar mais adultos traumatizados por infâncias arruinadas pelos progenitores.
As crianças que são criadas por pais que se mantêm casados apesar do seu casamento ter fracassado, vão aprender que o casamento não passa duma obrigação infeliz. Provavelmente vão reproduzir os comportamentos duvidosos que tinham em casa e eventualmente vão ter relações pouco saudáveis em adultos. Aliás, eu conheço uns quantos adultos que beneficiariam muito em ter ajuda psiquiátrica porque foram criados no seio de relações fracassadas. Estão traumatizados até aos 130 anos! Isto, assumindo que a partir dos 130 já têm demência ou falta de memória crónica para se esquecerem dos traumas de infância.
Tenho de esclarecer, contudo, que quando falo em casamentos arruinados, refiro-me aos casos em que já foi dada a 2ª, a 3ª e a 4ª oportunidade e a porcaria continua a mesma. Refiro-me aos casos em que as pessoas não sentem qualquer empatia pela outra, não querem estar sequer na companhia do cônjuge e recorrem insistentemente à violência psicológica, ao insulto e descarregam raiva que nem um autoclismo. E o termo autoclismo não é por acaso. O ambiente destas famílias só se pode descrever como uma merda!
Só que há quem pense que ter um casamento miserável é melhor que ser divorciado/a. Para essas pessoas, tenho uma novidade: Não é!!!
Um divórcio civilizado não traumatiza as crianças, não magoa tanto os cônjuges e abre todo um leque de novas possibilidades na vida de cada um. Quando o ex desampara a loja, surgem novas oportunidades de encontrar alguém diferente a quem dar cabo do juízo até essa pessoa se fartar, tal como a anterior... ou não...
O problema é que muitos divórcios só acontecem quando o casal se odeia há anos e culpa o outro de todos os seus fracassos, frustrações e, principalmente, de todas as oportunidades perdidas ao longo dos anos para ser feliz. E aí, o rancor já é tanto que não há forma de terem um divórcio "limpo".
Outro problema a que tenho assistido com muita frequência é à vingança pós divórcio. Toda a gente conhece pelo menos uma daquelas pessoas que ficou amargurada pelo divórcio e usa os filhos como arma. Sabem aquela criatura que se queixa do/a ex aos filhos para denegrir a imagem que eles têm do/a progenitor/a? Então aqui vai outra revelação. Não é o divórcio que traumatiza crianças. O que as traumatiza é ser educada por uma pessoa ressabiada e egoísta que ignora a sanidade mental da criança porque está demasiado ocupada a destilar veneno e frustrações pessoais, às quais a criança é alheia.
Por isso, se o vosso casamento já está tão degradado que não passa de fachada, não sejam hipócritas, não sejam preconceituosos e, sobretudo, não sejam egoístas. Divorciem-se civilizadamente e não dêem cabo dos cornos aos vossos filhos!

sábado, janeiro 18, 2014

Os "soup nazis" de Lisboa

Lembram-se do soup nazi do Seinfeld?
- No soup for you. NEXT!
O senhor das sopas era uma besta mas conseguia manter a loja cheia porque as sopas eram deliciosas.
O episódio foi baseado em situações veridícas e o nazi das sopas original agradeceu a publicidade gratuita e agora até vende t-shirts a dizer "No soup for you". E, de facto, as sopas são deliciosas. Não são baratas... mas valem cada cêntimo: http://originalsoupman.com/
Em Lisboa também temos umas personagens com mau feitio na área da restauração.
Comecemos por uma família que já anda no negócio há muitos anos, os donos da Conchanata. Tratam os clientes como se os estivessem a incomodar e como se o trabalho deles fosse aturar gente a escolher combinações ridículas de sabores de gelado.
O dono não costuma confratenizar com a clientela porque é ele que faz os gelados, mas cada vez que aparece, inunda o espaço de mau humor. A sua esposa só não mete umas trombas maiores porque chegariam à porta e ficavam sem clientes de vez.
Há uns anos, uma das funcionárias que limpa as mesas, dirigiu-se à patroa para a informar que havia clientes que tinham tirado as cadeiras todas de algumas mesas e agora os outros clientes só tinham mesa e não tinham cadeiras para se sentarem. Enquanto me atendia, a patroa exclamou:
- Eu quero lá saber! Sentem-se no chão, sentem-se nos carros! Eu quero lá saber!
Fiz o meu pedido e, a partir daí, decidi que também já não queria saber da Conchanata. Não fazem gelados suficientemente bons para que seja tolerável aturar a estupidez dos donos.
Há precisamente uma semana assisti a uma situação semelhante. Jantei no  Le Petit Bistro. A comida é boa e o preço é justo mas, ainda assim, não é tão boa nem tão barata que me faça ignorar o mau feitio do Sr. Pascal.
Uma das pessoas que estava na minha mesa pediu mais vinho e o proprietário retorquiu:
- Se faz favor! Durante todo o jantar nunca me pediu se faz favor nem disse obrigado. Mais uma garrafa de vinho, se faz favor!
A pessoa visada ficou perplexa, defendeu-se argumentando que nunca tinha sido mal-educada na vida e, quando o vinho chegou, aproveitou a oportunidade para recuperar as oportunidades perdidas:
- Obrigada! Se faz favor, muito obrigada por favor. Obrigada se faz favor.
- Agora não é preciso - reclamou o sr. francês com aquela pronúncia que carrega os érres e soa sempre a música do Jacques Brel - Depois de eu lhe chamar a atenção, já não é preciso. Devia ter dito isso mas era antes de eu lhe chamar a atenção.
Ora, por mais razão que o sr. tivesse, se calhar ele ainda não percebeu que, quando se faz atendimento ao público, há sempre os educados, os mal-criados, os simpáticos, os arrogantes e os despistados. Vai haver todo o tipo de personagens e são essas personagens que deixam lá o dinheirinho que faz Le Petit Bistro manter-se aberto.
Esta personagem aqui diz todos os se faz favor e todos os obrigados E consigo dizê-los no compasso e no andamento certos sem me alertarem para aquele por favor que ficava uma oitava acima no compasso anterior e que me passou ao lado. Mas esta personagem não volta ao Petit Bistro.

sábado, janeiro 11, 2014

A homofobia convencida

Os preconceitos irritam-me. Irritarão certamente muitas pessoas. Mas quando se trata de homofobia, a estupidez bate novos recordes!
Há uma característica típica da homofobia que é o sentimento de superioridade do heterossexual pelo simples facto de ser heterossexual.
Sim, não importa que seja mal formado, desonesto, psicopata, burro, feio e mau. Desde que goste de mulheres, acha-se imediatamente superior a qualquer gay. Mesmo que esse gay tenha todas as qualidades que faltam ao heterossexual. A sua homosexualidade é tão importante que anula todas as suas qualidades e torna-o imediatamente motivo de chacota.
Esta atitude heterosexual ainda é frequente e o mais grave é que há adolescentes com esta mentalidade. Que os mais velhos não aprendam nada, já se espera... mas é triste ver que a nova geração mantém os mesmos preconceitos. Assim é difícil!
O meu irmão de 14 anos disse-me que se descobrisse que o seu melhor amigo era gay, deixava imediatamente de ser seu amigo.
- Porquê? - perguntei eu - Se tu gostavas dele antes de saberes que ele gosta de homens, o que é que muda por ele ser gay?
- Não posso falar com ele sobre raparigas... E depois ele ainda se atira a mim...
Expliquei-lhe que a escassez de temas de conversa dele era preocupante mas que ainda é mais preocupante que os heterossexuais, na sua superioridade se achem todos irresistíveis.
Mas porque carga de água é que ser gay significa ser desesperado e atirar-se a qualquer homem independentemente de ser heterossexual, feio, estúpido e mau? Até o heterossexual menos atraente e que não consegue nada com mulher nenhuma, acha que qualquer gay se vai atirar a ele.
Se formos bem a ver, a homofobia é igual ao racismo. Há um determinado grupo de pessoas que, por terem uma característica completamente aleatória se julga superior a um outro grupo que tem outra característica igualmente aleatória.
Sabem aquelas pessoas que têm o dedo mindinho torto? Horríveis! São uma aberração. Merecem ser alvo de toda a chacota. E aquela mania de se atirarem a pessoas com dedos mindinhos perfeitos e direitinhos? Não perecebem que as pessoas com dedos direitinhos estão way out of your league?
Foi estúpido? Foi tão estúpido como os heterossexuais acharem-se superiores aos homossexuais...

sábado, janeiro 04, 2014

2014 vai ser dramático ou simplesmente aborrecido?

Acabei de verificar que alguém tinha pesquisado por "2014 vai ser aborrecido" e veio parar aqui ao blog... Vá-se lá saber porquê...
Mas, já agora, vou escrever sobre isso.
2014 vai ser aborrecido se:
- Os bares do Bairro Alto continuarem a fechar às 03h;
- Os Gato Fedorento continuarem a fazer exclusivamente anúncios do Meo;
- Não abrirem mais restaurantes decentes de Dim Sum em Lisboa e continuarem a proliferar os sushineses;
- Continuar a encontrar muita gente a usar leggings como se fossem calças. Chamo a atenção, em particular, para as leggings às riscas largas verticais que são verdadeiras homenagens ao Obélix;
- As mulheres continuarem a ter filhos para "salvar o casamento". Vai ser aborrecido para elas e para o bebé... Não abram a pestana, não;
- Os ânimos continuarem animados em Istambul porque eu até gostava de lá ir;
- O FCP ganhar o Campeonato;
- Não parar de chover rapidamente porque não consigo secar roupa.
- O meu Facebook continuar inundado de selfies, self likes e actualizações de estado com frases vagas e enigmáticas a suplicar por comentários cheios de curiosidade.
- O Daniel Oliveira continuar a fazer entrevistas no Alta Definição. Pronto, ok, aborrecido não é o adjectivo ideal. Triste adequa-se melhor.
- A selecção Nacional não passar da fase de grupos no Mundial.

Agora aproveito para enumerar algumas das hipóteses que farão com que 2014 seja dramático:
- Se o tuga continuar a assistir, calmamente, às imbecilidades dos parasitas energúmenos que estão no Governo;
- Se o fluxo de emigração de jovens qualificados se mantiver;
- Se o IVA aumentar;
- Se o António José Seguro continuar a ser líder do PS;
- Se as empresas de sectores estratégicos do Estado forem privatizadas ao desbarato a empresas de países de 3º Mundo controladas por uma elite corrupta com o monopólio da riqueza do País inteiro... Angola?!? Porque é que acham que estou a falar de Angola?!?
- Se a TVI decidir fazer um Secret Story 5.