sábado, janeiro 25, 2014

Paizinhos: não sejam egoístas e divorciem-se

Não vou falar sobre a co-adopção por casais homossexuais porque... porque não é assunto...
Todas as opiniões que li ou ouvi contra a co-adopção ignoram o bem-estar das crianças e privilegiam o preconceito e a hipocrisia.
E por falar em crianças, preconceito e hipocrisia, será que os pais com casamentos fracassados já perceberam que podem pedir o divórcio? Sim, aquela figura jurídica inovadora que permite às pessoas livrarem-se dum vínculo legal que as une a outra criatura que detestam.
É que, em pleno século XXI, ainda há pessoas que preferem manter um casamento arruinado com uma pessoa de quem não gostam, com quem não querem estar e com quem se dão incrivelmente mal.
Concordo com o ditado "Entre marido e mulher não se mete a colher". Mas acho que quando existe um marido, uma mulher e crianças no meio, o caso muda de figura. Porque as crianças que crescem no seio dum casamento destruído, são crianças que vão sofrer por diversas razões. A mais importante de todas é porque estão num ambiente tenso em que os pais estão infelizes e frustrados. E as pessoas infelizes e frustradas discutem, irritam-se e sofrem. Tudo isso acaba por influenciar os comportamentos das crianças em adultos. E já há gente perturbada que chegue. Ninguém está para aturar mais adultos traumatizados por infâncias arruinadas pelos progenitores.
As crianças que são criadas por pais que se mantêm casados apesar do seu casamento ter fracassado, vão aprender que o casamento não passa duma obrigação infeliz. Provavelmente vão reproduzir os comportamentos duvidosos que tinham em casa e eventualmente vão ter relações pouco saudáveis em adultos. Aliás, eu conheço uns quantos adultos que beneficiariam muito em ter ajuda psiquiátrica porque foram criados no seio de relações fracassadas. Estão traumatizados até aos 130 anos! Isto, assumindo que a partir dos 130 já têm demência ou falta de memória crónica para se esquecerem dos traumas de infância.
Tenho de esclarecer, contudo, que quando falo em casamentos arruinados, refiro-me aos casos em que já foi dada a 2ª, a 3ª e a 4ª oportunidade e a porcaria continua a mesma. Refiro-me aos casos em que as pessoas não sentem qualquer empatia pela outra, não querem estar sequer na companhia do cônjuge e recorrem insistentemente à violência psicológica, ao insulto e descarregam raiva que nem um autoclismo. E o termo autoclismo não é por acaso. O ambiente destas famílias só se pode descrever como uma merda!
Só que há quem pense que ter um casamento miserável é melhor que ser divorciado/a. Para essas pessoas, tenho uma novidade: Não é!!!
Um divórcio civilizado não traumatiza as crianças, não magoa tanto os cônjuges e abre todo um leque de novas possibilidades na vida de cada um. Quando o ex desampara a loja, surgem novas oportunidades de encontrar alguém diferente a quem dar cabo do juízo até essa pessoa se fartar, tal como a anterior... ou não...
O problema é que muitos divórcios só acontecem quando o casal se odeia há anos e culpa o outro de todos os seus fracassos, frustrações e, principalmente, de todas as oportunidades perdidas ao longo dos anos para ser feliz. E aí, o rancor já é tanto que não há forma de terem um divórcio "limpo".
Outro problema a que tenho assistido com muita frequência é à vingança pós divórcio. Toda a gente conhece pelo menos uma daquelas pessoas que ficou amargurada pelo divórcio e usa os filhos como arma. Sabem aquela criatura que se queixa do/a ex aos filhos para denegrir a imagem que eles têm do/a progenitor/a? Então aqui vai outra revelação. Não é o divórcio que traumatiza crianças. O que as traumatiza é ser educada por uma pessoa ressabiada e egoísta que ignora a sanidade mental da criança porque está demasiado ocupada a destilar veneno e frustrações pessoais, às quais a criança é alheia.
Por isso, se o vosso casamento já está tão degradado que não passa de fachada, não sejam hipócritas, não sejam preconceituosos e, sobretudo, não sejam egoístas. Divorciem-se civilizadamente e não dêem cabo dos cornos aos vossos filhos!

sábado, janeiro 18, 2014

Os "soup nazis" de Lisboa

Lembram-se do soup nazi do Seinfeld?
- No soup for you. NEXT!
O senhor das sopas era uma besta mas conseguia manter a loja cheia porque as sopas eram deliciosas.
O episódio foi baseado em situações veridícas e o nazi das sopas original agradeceu a publicidade gratuita e agora até vende t-shirts a dizer "No soup for you". E, de facto, as sopas são deliciosas. Não são baratas... mas valem cada cêntimo: http://originalsoupman.com/
Em Lisboa também temos umas personagens com mau feitio na área da restauração.
Comecemos por uma família que já anda no negócio há muitos anos, os donos da Conchanata. Tratam os clientes como se os estivessem a incomodar e como se o trabalho deles fosse aturar gente a escolher combinações ridículas de sabores de gelado.
O dono não costuma confratenizar com a clientela porque é ele que faz os gelados, mas cada vez que aparece, inunda o espaço de mau humor. A sua esposa só não mete umas trombas maiores porque chegariam à porta e ficavam sem clientes de vez.
Há uns anos, uma das funcionárias que limpa as mesas, dirigiu-se à patroa para a informar que havia clientes que tinham tirado as cadeiras todas de algumas mesas e agora os outros clientes só tinham mesa e não tinham cadeiras para se sentarem. Enquanto me atendia, a patroa exclamou:
- Eu quero lá saber! Sentem-se no chão, sentem-se nos carros! Eu quero lá saber!
Fiz o meu pedido e, a partir daí, decidi que também já não queria saber da Conchanata. Não fazem gelados suficientemente bons para que seja tolerável aturar a estupidez dos donos.
Há precisamente uma semana assisti a uma situação semelhante. Jantei no  Le Petit Bistro. A comida é boa e o preço é justo mas, ainda assim, não é tão boa nem tão barata que me faça ignorar o mau feitio do Sr. Pascal.
Uma das pessoas que estava na minha mesa pediu mais vinho e o proprietário retorquiu:
- Se faz favor! Durante todo o jantar nunca me pediu se faz favor nem disse obrigado. Mais uma garrafa de vinho, se faz favor!
A pessoa visada ficou perplexa, defendeu-se argumentando que nunca tinha sido mal-educada na vida e, quando o vinho chegou, aproveitou a oportunidade para recuperar as oportunidades perdidas:
- Obrigada! Se faz favor, muito obrigada por favor. Obrigada se faz favor.
- Agora não é preciso - reclamou o sr. francês com aquela pronúncia que carrega os érres e soa sempre a música do Jacques Brel - Depois de eu lhe chamar a atenção, já não é preciso. Devia ter dito isso mas era antes de eu lhe chamar a atenção.
Ora, por mais razão que o sr. tivesse, se calhar ele ainda não percebeu que, quando se faz atendimento ao público, há sempre os educados, os mal-criados, os simpáticos, os arrogantes e os despistados. Vai haver todo o tipo de personagens e são essas personagens que deixam lá o dinheirinho que faz Le Petit Bistro manter-se aberto.
Esta personagem aqui diz todos os se faz favor e todos os obrigados E consigo dizê-los no compasso e no andamento certos sem me alertarem para aquele por favor que ficava uma oitava acima no compasso anterior e que me passou ao lado. Mas esta personagem não volta ao Petit Bistro.

sábado, janeiro 11, 2014

A homofobia convencida

Os preconceitos irritam-me. Irritarão certamente muitas pessoas. Mas quando se trata de homofobia, a estupidez bate novos recordes!
Há uma característica típica da homofobia que é o sentimento de superioridade do heterossexual pelo simples facto de ser heterossexual.
Sim, não importa que seja mal formado, desonesto, psicopata, burro, feio e mau. Desde que goste de mulheres, acha-se imediatamente superior a qualquer gay. Mesmo que esse gay tenha todas as qualidades que faltam ao heterossexual. A sua homosexualidade é tão importante que anula todas as suas qualidades e torna-o imediatamente motivo de chacota.
Esta atitude heterosexual ainda é frequente e o mais grave é que há adolescentes com esta mentalidade. Que os mais velhos não aprendam nada, já se espera... mas é triste ver que a nova geração mantém os mesmos preconceitos. Assim é difícil!
O meu irmão de 14 anos disse-me que se descobrisse que o seu melhor amigo era gay, deixava imediatamente de ser seu amigo.
- Porquê? - perguntei eu - Se tu gostavas dele antes de saberes que ele gosta de homens, o que é que muda por ele ser gay?
- Não posso falar com ele sobre raparigas... E depois ele ainda se atira a mim...
Expliquei-lhe que a escassez de temas de conversa dele era preocupante mas que ainda é mais preocupante que os heterossexuais, na sua superioridade se achem todos irresistíveis.
Mas porque carga de água é que ser gay significa ser desesperado e atirar-se a qualquer homem independentemente de ser heterossexual, feio, estúpido e mau? Até o heterossexual menos atraente e que não consegue nada com mulher nenhuma, acha que qualquer gay se vai atirar a ele.
Se formos bem a ver, a homofobia é igual ao racismo. Há um determinado grupo de pessoas que, por terem uma característica completamente aleatória se julga superior a um outro grupo que tem outra característica igualmente aleatória.
Sabem aquelas pessoas que têm o dedo mindinho torto? Horríveis! São uma aberração. Merecem ser alvo de toda a chacota. E aquela mania de se atirarem a pessoas com dedos mindinhos perfeitos e direitinhos? Não perecebem que as pessoas com dedos direitinhos estão way out of your league?
Foi estúpido? Foi tão estúpido como os heterossexuais acharem-se superiores aos homossexuais...

sábado, janeiro 04, 2014

2014 vai ser dramático ou simplesmente aborrecido?

Acabei de verificar que alguém tinha pesquisado por "2014 vai ser aborrecido" e veio parar aqui ao blog... Vá-se lá saber porquê...
Mas, já agora, vou escrever sobre isso.
2014 vai ser aborrecido se:
- Os bares do Bairro Alto continuarem a fechar às 03h;
- Os Gato Fedorento continuarem a fazer exclusivamente anúncios do Meo;
- Não abrirem mais restaurantes decentes de Dim Sum em Lisboa e continuarem a proliferar os sushineses;
- Continuar a encontrar muita gente a usar leggings como se fossem calças. Chamo a atenção, em particular, para as leggings às riscas largas verticais que são verdadeiras homenagens ao Obélix;
- As mulheres continuarem a ter filhos para "salvar o casamento". Vai ser aborrecido para elas e para o bebé... Não abram a pestana, não;
- Os ânimos continuarem animados em Istambul porque eu até gostava de lá ir;
- O FCP ganhar o Campeonato;
- Não parar de chover rapidamente porque não consigo secar roupa.
- O meu Facebook continuar inundado de selfies, self likes e actualizações de estado com frases vagas e enigmáticas a suplicar por comentários cheios de curiosidade.
- O Daniel Oliveira continuar a fazer entrevistas no Alta Definição. Pronto, ok, aborrecido não é o adjectivo ideal. Triste adequa-se melhor.
- A selecção Nacional não passar da fase de grupos no Mundial.

Agora aproveito para enumerar algumas das hipóteses que farão com que 2014 seja dramático:
- Se o tuga continuar a assistir, calmamente, às imbecilidades dos parasitas energúmenos que estão no Governo;
- Se o fluxo de emigração de jovens qualificados se mantiver;
- Se o IVA aumentar;
- Se o António José Seguro continuar a ser líder do PS;
- Se as empresas de sectores estratégicos do Estado forem privatizadas ao desbarato a empresas de países de 3º Mundo controladas por uma elite corrupta com o monopólio da riqueza do País inteiro... Angola?!? Porque é que acham que estou a falar de Angola?!?
- Se a TVI decidir fazer um Secret Story 5.