domingo, fevereiro 16, 2014

A neve no País das praias

Portugal tem uma grande costa. Quer dizer, grande na medida em que algum pedaço de território terrestre em Portugal pode ser considerado grande... Proporcionalmente grande, pronto.
Quando se fala de Portugal, pensa-se logo em sol e bom tempo. Os britânicos pensarão imediatamente nas praias do Algarve.
Mas Portugal tem neve... tem uma Serra da Estrela com pistas e tudo! Só tem é um problema. As pistas fecham quando há neve.
Quando não há neve, as pistas estão abertas mas os acessos à Torre estão entupidos de bimbos que param na berma assim que vêem gelo. E começam a atirar gelo uns aos outros.
E quando as bermas já estão estão cheias de carros, a estrada fica mais estreita e começam os engarrafamentos. Depois há os toques, porque ninguém sabe conduzir com neve.
E quando começamos a chegar à Torre, há trenós de plástico, há sacos de plástico para fazer sku e... pasme-se... há tampos de sanita, perfeitos para escorregar na neve. Isto é o desenrasca tuga no seu melhor.
As nossas praias estão limpas, bonitas, com bons acessos. Tudo perfeito para os estrangeiros (e os tugas) gastarem o dinheirinho nas férias de Verão.
Já a nossa única estância de ski está fechada sempre que neva.
O que me parece é que para o turismo interno, qualquer coisita serve. Os turistas estrangeiros devem ser uma minoria pequenina na Serra da Estrela. Para quê ir lá? Os Europeus têm estâncias de neve muito melhores e os Brasileiros, se forem à Serra, é porque nunca foram a uma estância de ski a sério.
Provavelmente os Portugueses que frequentam a Serra da Estrela são suficientes para fazer os comerciantes e hoteleiros ganharem o dinheirinho que querem.
Infelizmente, a verdade é que se o tuga quer uma estância de ski a sério, que esteja aberta todo o Inverno, tem de ir deixar os Euritos ali no País do lado.
Tendo em conta que aqui no rectângulo, o turismo continua a ser o sector mais lucrativo, que tal melhorarem os acessos para podermos oferecer condições para os desportos de Inverno? Digo eu... que vou pagar forfaits aos espanhóis porque a Estância de ski do meu país está fechada durante as minhas férias...

domingo, fevereiro 09, 2014

Leggings às riscas. Beetlejuice ou Obélix?

Este é o post fútil do ano.
As leggings às riscas largas horizontais brancas e pretas são horríveis!
Cada vez que vejo alguém com leggings destas, penso no Beetlejuice ou no Obélix. Felizmente ainda não vi ninguém com leggings às riscas azuis e brancas porque senão questionar-me-ia onde andava o Idéiafix.

domingo, fevereiro 02, 2014

SeaMe...not!

O SeaMe é uma peixaria moderna. Logo, o peixe devia ser a especialidade. Devia... mas não é.
Claro que não experimentei a carta toda mas começámos com vieiras com tártaro de manga. Conclusão: porque carga de água é que alguém junta vieiras com manga?!?
Também experimentámos o carpaccio de atum. Era sashimi com um empratamento diferente.
E agora começa a aventura.
Enquanto aguardávamos a chegada do robalinho recheado com presunto e os filetes de Veja com arroz de tomate, serviram-nos uma selecção de sashimi. Recusámos o prato... não tínhamos pedido sashimi. O prato voltou para a cozinha.
Já estávamos há meia hora à espera.
Com as nossas bebidas na mesa (um copo de vinho branco e uma imperial), chega-nos uma garrafa de rosé. Que também não tínhamos pedido. Afinal, desta vez foi só má pontaria. Era para a mesa do lado. E percebe-se a confusão com as mesas porque estão separadas por uma distância de 10 mm. Há tanta informação da mesa da direita e da mesa da esquerda que qualquer cuscovilheira profissional consideraria esta distância contra-producente. As queixas do trabalho da mesa da direita confundiam-se com o relato histérico da viagem a Nova Iorque da esquerda. Não há concentração que resista.
Passada outra meia-hora, chega o robalinho, cozinhado demais, seco... Nem a gordura do presunto o safava de tanto tempo a cozinhar. O presunto não estava seco... estava ressequido!
Os filetes sabiam a filetes. Não é mau... podiam vir a nadar em óleo mas estavam sequinhos. Tão sequinhos como o arroz de tomate.
Entretanto, passavam pregos para todo o lado. Um lombo alto entre duas fatias igualmente altas de bolo do caco. Os vizinhos do lado esquerdo pediram pregos. Uma das funcionárias trouxe dois. Um dos pregos foi para a mesa do lado e o outro foi para o casaco do turista da mesa de trás. Sorte do sr. que regressa à sua terra com uma generosa nódoa no seu blazer de tweed.
Quando a funcionária regressa com um novo prego, os vizinhos comentam:
- Vocês hoje não acertam com o sal. Primeiro foi nas vieiras e agora o prego está salgadíssimo!
Há pessoas ingratas! Eles são é generosos! E são tão generosos que se pedirmos uma Maria Bolacha vem café ao lado. E essa quantidade generosa de café deve estar lá para compensar a ausência total do vinho do Porto que prometiam na ementa. Levamos um copo cheio de chantilly com pedaços de bolacha Maria por baixo. E isto é um problema porque se regarmos o chantilly com o café... fica líquido. Se regarmos as bolachas com café, ficam papa. Se calhar, neste caso específico, a lógica DIY não funciona. Que tal porem o cafézinho onde entenderem e servirem-nos a sobremesa já preparada?
E 3 horas depois de nos sentarmos numas cadeiras concorrentes ao prémio das mais desconfortáveis de Lisboa, podemos finalmente pagar uma conta digna dum restaurante bom. Mas só a conta...
Se calhar o erro foi nosso. Se calhar só o sushi é que é bom. Se calhar é melhor pedir marisco... Mas eu não gosto de marisco - exceptuando as vieiras, claro, que deixavam a desejar.
O que eu sei é que estava uma fila de mais de 10 pessoas à espera. Se estão a repetir a experiência, são masoquistas. Se é uma estreia, vão sair arrependidas.

E sobre as praxes... acham que dá para deixarem de ser acéfalos?

Anda toda a gente a falar sobre praxes por causa do que aconteceu no Meco. Não se sabe se o lamentável episódio teve alguma coisa a ver com praxes mas foi suficiente para lançar a polémica.
Na maior parte dos casos, a praxe não é mais que um grupo de miúdos a fazerem figuras de parvos. E estão todos convictos que a humilhação a que estão a ser sujeitos é um ritual de iniciação importante na sua vida. Defendem o curso deles como se fosse o clube de futebol e o nível de boçalidade dos cânticos e a rivalidade com os restantes cursos está ao nível das claques. É triste vermos que os universitários se comportam como Super Dragões... ou No-Name Boys... ou Juve Leo... não interessa. Na sua essência, tratam-se de grandes grupos de criaturas básicas com sinais evidentes de atavismo. Talvez isso explique que quem mais sobe na hierarquia da praxe seja quem tem mais matrículas. Se os veteranos não manifestassem este atavismo, provavelmente tinham acabado o curso a tempo.
Sempre achei descabido que exista uma hierarquia na faculdade em que os mais burros (ou mais preguiçosos) são os que se encontram no topo. A faculdade não devia estar a preparar adultos para entrarem na vida activa? Não devia promover a meritocracia? Não! Porque estamos em Portugal e, quando esta gente entrar no mercado de trabalho, vai perceber que, em demasiadas empresas, o mérito está sobre-valorizado e há formas muito criativas de conseguir ser promovido. Além disso, há muitas situações em que a antiguidade é um posto.
Mas a praxe em si, não tem de ser necessariamente humilhante. Em 2012, no ISCSP (que por acaso até foi a minha faculdade), foi organizada uma praxe solidária: http://www.iscsp.utl.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1237&catid=157&Itemid=398. Sim, é possível integrar os novos alunos e organizar actividades que marquem a sua entrada no ensino superior sem estupidez, humilhação e demonstrações de frustração sexual!
Outra coisa que reparei é que os maiores adeptos da praxe e da tradição académica são os desterrados. Por desterrados entendam-se os alunos que estão a estudar fora da sua terra.
Os alunos que não conhecem ninguém na cidade onde vão estudar, deixaram os amigos noutras faculdades e a família na terra, estão sedentos de integração e sujeitam-se às palhaçadas todas para conhecerem mais gente e criar vínculos com os outros estudantes na mesma situação.
Para quem não sai da sua terra para entrar na faculdade, o ensino superior não passa duma nova etapa. Tal como foi mudar de escola no secundário e tal como será mudar eventualmente de faculdade no mestrado.
Dito isto, a praxe não é necessariamente má. Tudo depende de como for feita. Se pegarem nos caloiros todos e mobilizarem o espírito de manada para acções de solidariedade ou de responsabilidade social, é possível integrá-los e ajudá-los a fazer novas amizades.
O problema é que os valores - submissão cega, espírito de manada acéfala, tolerância à humilhação, abusos de poder a roçar o despotismo - que a maioria das praxes transmitem não são os valores que queremos que os jovens adultos tenham quando entrarem no mercado de trabalho.
Será que dá para deixarem de ser acéfalos?