sábado, agosto 30, 2014

Tiros nos pés nas redes sociais

As redes sociais têm de ser bem geridas. Quer seja o nosso Facebook pessoal quer seja o Facebook da nossa empresa.
Não queremos que o nossos chefe ou potenciais empregadores vejam aquelas fotos da festa em que apanhámos uma bebedeira tão grande que acabámos a orar ao Deus de porcelana.
Também é capaz de não dar bom aspecto fazer publicações públicas daquelas frases cheias de rancor, ressentimento e má pontuação tipo: "Aquele que fala mal de mim para você. Fala mal de você para outros." Além de passarem por analfabetos, não vos favorece na área da inteligência. Um mural cheio destas pérolas e de selfies passa a mesma imagem que umas leggings à Bettlejuice, com um top decotado e sapatinho de salto alto: demasiada informação mas nada que se aproveite.
Para as empresas, isto ainda é mais importante e, se usam as redes sociais para se promoverem, é melhor que restrinjam as publicações no mural ou não entrem sequer nas redes sociais. Vou dar um exemplo: estava a pensar ir experimentar o Restaurante Happy Days em Cascais. Fui à página deles no Facebook e vi más críticas por aumentarem os preços de alguns produtos para o dobro. Achei feio e não fui lá.
Mas o contrário também acontece. Quando estava a escolher um hotel em Paris fui ao Facebook de um dos hotéis e as publicações na página eram tão boas que acabei por reservar esse mesmo hotel e no próprio Facebook.
Resumindo e concluindo, se o vosso Facebook só vos enterra, é melhor reconsiderarem.

domingo, agosto 24, 2014

A cobardia tuga

Os Portugueses podem ter muitas qualidades mas têm defeitos que me irritam profundamente. Um deles é a cobardia.
Quando é preciso afrontar o poder ou contestar os mais fortes, está quieto... Publicam-se uns posts indignados no Facebook mas não passa disso. Atrás do computador são uns rebeldes! Mas quando é preciso gritar e ir para a rua, vão sempre os mesmos.
Aliás, basta conduzirmos 2 carros diferentes para sentirmos um cheirinho desta cobardia. Se eu estiver no meu Twingo com 20 anos e parar numa passadeira para os peões passarem, a probabilidade do condutor atrás de mim reclamar ou apitar é de cerca de 70%. Se eu fizer o mesmo no carro do meu pai que é novo e é um topo de gama, ninguém apita nem que eu mude de faixa sem fazer pisca.
Mas assim que apanham alguém que tem o azar de ter de atender ao público... ui! Vai-te a ele!
Há bocado, estava no serviço ao cliente do Ikea e o sistema que faz a chamada das senhas recuou. Em vez de passar ao nº 154, chamou novamente o nº 150. Eis que o detentor da senha 154 salta para o balcão indicado no ecrã e indigna-se com a funcionária porque ele tem a senha 154 e não foi chamado. A senhora que estava a ser atendida no balcão ao lado junta-se à indignação e ralha com a funcionária.
A rapariga que me atendia vê o meu ar incrédulo a assistir ao arraial e comenta:
- Há pessoas cheias de pressa! - não comentei porque o problema daquelas pessoas não era a pressa, era mesmo a estupidez. Se começasse a falar sobre isso, tínhamos assunto para a tarde inteira e a rapariga não atendia mais ninguém.
Do outro lado do balcão onde eu estava, um casal examinava ao pormenor todas as peças dum móvel. Aparentemente tinham ido devolver ou trocar (nem sei se eles fazem trocas ali naqueles balcões) uma peças que tinham riscos. Para evitar que a empresa sueca os enganasse, examinavam cada pedaço de aglomerado com olho clínico. Sim, porque estão a pagar uma fortuna por um móvel que não pode ter um risco mesmo que não se veja porque fica encostado à parede! Até porque, quando montarem o móvel, é impossível que lhe façam um risco acidentalmente! Aguenta Ikea! Aguentem restantes clientes que terão de ficar mais 15 minutos à espera para que possam examinar cautelosamente cada aresta da madeira! Mas quem tem pressa? É domingo! Ah, não! Esperem! Os senhores do outro balcão estão cheios de pressa e continuam a reclamar da avaria do sistema que chama as senhas. Ou será que reclamam da rapariga que conseguiu a proeza de pôr aquilo a chamar senhas anteriores? Uma coisa eu sei que eles não reclamam: não reclamam a nova lei da cópia privada, não reclamam uma eventual subida do IVA nem reclamam nada junto de quem tem poder.
E até aposto que se tivesse passado uma hora naquele balcão em vez de 5 minutos, tinha material para uma tese de sociologia!

Imposto sobre artigos que podemos importar por um preço mais baixo? Tão esperto!!!

Como sempre, o nosso estimado Governo tem uma ideia brilhante que se traduz num tiro no pé. Com a desculpa de pagar direitos de autor, tomem lá mais um imposto.
Um gadget poderá custar até mais 20 Eur que, mesmo assim, é mais caro que a taxa de transporte da Amazon. E o que é que acontece quando começarmos a encomendar os gadgets em sites estrangeiros? Deixamos de pagar o IVA do produto que encomendámos noutro país que até está no Espaço Schengen e até vende o gadget um bocadinho mais barato. Ou seja, o Governo fica sem a ver a taxa da cópia privada e fica sem ver o IVA.

Os 20 EUR vão ser cobrados na compra de equipamentos multifunções ou fotocopiadoras a laser com capacidade de impressão de mais de 40 páginas por minuto. Ou seja, as empresas que paguem... Se a nova taxa serve para proteger os direitos de autor, parece-me bastante óbvio que sejam as empresas a pagar a taxa mais alta. Esses desgraçados que sacam músicas, jogos e filmes durante o dia inteiro! Além disso, todos sabemos que a impressora do escritório não serve para mais do que imprimir as capas dos CDs, jogos e filmes que foram sacados da net usando o wi-fi pago pelo patrão.

Em suma, decisões inteligentes a que esta gente mentecapta já nos habitou.

sábado, agosto 16, 2014

Lisboa em Agosto

Não gosto de tirar férias em Agosto. Gosto de ficar por Lisboa.
Há lugares para estacionar em todo o lado, não há trânsito, não há quase ninguém a trabalhar, há mesas em todos os restaurantes... É uma paz!
Mas por um lado, ainda bem que é só em Agosto porque se Lisboa fosse esta pasmaceira durante todo o ano, acabava por se tornar um tédio. Assim, consigo dar valor a este ritmo lento sem me fartar.
Consta que o Algarve está a abarrotar. Acredito... Além dos Lisboetas, deve estar lá metade da população do resto do país.
Mas para compensar, Lisboa está cheia de turistas. Como não vivo na zona turística não dou conta da enchente mas basta ir à Baixa para ver que os tugas foram substituídos por estrangeiros. Espanhóis, Britânicos e Franceses por todo o lado. Ah e tal, eu sei que é fantástico termos turistas a consumir e a pagar-nos IVA, os hóteis cheios, etc. Mas não podiam ter feito uma pausa em Agosto?

domingo, agosto 10, 2014

Há hamburguers com muita carne mas pãozinho do bom está mais escasso

Ultimamente, cada espaço de restauração que abre é uma hamburgueria qualquer coisa. Na João XXI, até o restaurante chinês se tornou uma hamburgueria.
E depois há o Honorato, e há a Hamburgueria do Bairro, e há a Hamburgueria Gourmet e a Hamburgueria da Parada...
Só não há é pãozinho do hamburguer tostadinho. E isso, meus amigos, é fundamental. Já não falo do pequeno pepino em pickle. Só peço que tostem a parte do meio do brioche. É tão simples e faz toda a diferença. Acreditem!

sábado, agosto 02, 2014

Ter vergonha de ser Português

Estamos em Agosto, mês dos emigrantes regressarem à terriola onde nasceram e brindarem os locais com situações geradoras de anedotas como a do "Jean-Pierre, tu vas tomber".
Eu também estive de férias mas, como ainda não emigrei, fiz o caminho inverso e fui até aos States. Por acaso não andei por Newark, o bastião da emigração tuga nas terras do Tio Sam, mas há Portugueses espalhados por todos os Estados, aparentemente.
Na Florida, além de Sul-Americanos, também há tugas. Conheci lá uma luso-descendente. Anda na casa dos 40 anos e é filha duma açoriana que, aparentemente se casou com um americano depois de emigrar. Perguntei-lhe se percebia ou se falava Português. Não sabia uma palavra. Nunca tinha estado em Portugal e nem sabia muito bem onde ficam os Açores. São ilhas, expliquei-lhe. Nós somos de Lisboa, a capital, em Portugal Continental. Sorriu. Não devia fazer a mais pálida ideia do que eu estava a falar. Em suma, a mãe desta senhora, apesar de ser Portuguesa e falar certamente Português, não ensinou uma única palavra à filha, nunca deve ter regressado a Portugal e a sua Pátria deixou de ser um assunto. Há pessoas que prezam a sua herança cultural e orgulham-se da sua nacionalidade. Transmitem esta herança aos filhos para que não se esqueçam de onde veio o seu ADN. Não é o caso da mãe desta senhora.
No aeroporto de Miami encontrei vários emigrantes Portugueses. Famílias inteiras com crianças que já nasceram além-fronteiras. As avós e as mães falam Português. As crianças respondem-lhes em inglês. Mesmo que não falem um Português perfeito, conseguem perceber. Mas já são americanas.
Quando digo que têm vergonha de serem Portugueses, falo das gerações mais velhas. Dos que emigraram.
Caminhando numa das loja de duty-free, ia um casal nos seus 30 anos com duas crianças pequenas. Conversavam em Português. Pararam à minha frente, junto à caixa. Eu aguardei. Quando vi que a senhora se mantinha imóvel após os clientes serem atendidos, dirigi-me a ela, em Português, e perguntei se estava na fila:
- What? - Pergunta-me a criatura. 
Acho que não consegui disfarçar o meu ar impaciente, apontei para a fila e levantei uma sobrancelha como se dissesse, "Estás na p*** da fila?!?!". Acho que a minha linguagem corporal foi bastante óbvia porque recebi um aceno de cabeça, negando estar na fila com um ar cabisbaixo. Responder-me em Português? Jamais. O que é que me terá passado pela cabeça para achar que ela falava Português? Afinal, estávamos nos Estados Unidos da América!
Ter vergonha da sua própria nacionalidade é tão disparatado como ter vergonha da profissão honesta do pai ou da mãe. Mas até se percebe. Muito tuga acha muito mais prestigiante ser aparentado com o Isaltino Morais que filho dum padeiro da Pastelaria Versailles.