sábado, novembro 29, 2014

Cavaco, o director comercial daqui do estaminé

Cavaco Silva, que nalguns meios é conhecido como Presidente da República de Portugal, foi fazer venda a retalho aos Emirados Árabes Unidos.

Ontem, no Dubai, o Sr Aníbal Silva fazia o rol dos seus melhores produtos: "Portugal completou com sucesso um programa de privatizações, mas ainda há mais ativos pendentes, entre eles a companhia aérea, é um tema que está em cima da mesa agora".

Isto, em linguagem de retalhista, é o mesmo que dizer "Olhe, tenho aqui uns tecidos de primeira qualidade em promoção. Já vendemos o cetim mas ainda temos um algodão brocado que faz uma toalha linda."

Pronto, é isto. O que muda é só o produto.

domingo, novembro 23, 2014

E mais Sócrates, só porque sim

Este blog não costuma ter muitos comentários. Mas escrever sobre Sócrates é atear um rastilho. O ex Primeiro-Ministro é das pessoas mais odiadas de todo o sempre.

É raro encontrar alguém a quem Sócrates seja indiferente. Por norma, há sempre uma opinião muito forte e frequentemente essa opinião é negativa... muito negativa.

Lamento mas não partilho esses sentimentos. Também não nutro qualquer sentimento de simpatia pelo homem. Não votei nele tampouco.

Se Sócrates for culpado, obviamente, deve ser punido. Mas não deve ser punido exemplarmente porque a Justiça, conceptualmente, deve ser igual para todos. Se pedimos que a Justiça seja cega para que os poderosos sejam punidos da mesma forma que a população em geral, não podemos pedir que tenha mão mais pesada sobre os poderosos. Sejamos coerentes. Eu sei que peço quase o impossível. Coerência quando se fala de Sócrates é complicado. O ódio tolda a capacidade de pensar racionalmente.



Então tomem lá a opinião duma Senhora que diz tudo isto e muito mais:


A Justiça a que temos direito



De nada!

sábado, novembro 22, 2014

Tenho de fazer um post sobre a detenção do Sócrates

Ontem à noite, Sócrates foi detido à chegada ao aeroporto de Lisboa para ser interrogado esta manhã. Então e porque é que o tinham de deter no dia anterior? Não podiam passar pela casa do ex Primeiro-Ministro logo de manhã?
Claro que as reacções à detenção não se fizeram esperar. Mas sabem o que me irrita mais nisto? É que sempre que eu ouvia alguém culpar o Sócrates pelo estado do País, sabia imediatamente que essa pessoa tinha uma cultura política de taxista. Se Sócrates for acusado (sim, ele ainda não foi acusado), julgado e culpado (sim, antes de ser declarado culpado, é preciso ir a julgamento e ser condenado... num tribunal... por um juíz), ninguém vai convencer esta gente que não podem apontar o ex primeiro-ministro como único responsável por esta crise financeira.
Ah... e eu não votei no Sócrates (pronto, só para que conste).
É que, depois deste aparato todo, depois da primeira detenção dum ex primeiro-ministro, se afinal de contas o homem for inocente, a (parca) credibilidade da Justiça Portuguesa desaparece de vez.
Mas, mesmo que isto aconteça, Sócrates será sempre culpado porque a justiça popular assim o entendeu. E a justiça popular entende sempre que o suspeito poderoso é culpado. Quando se fala do Sócrates então...
Ou seja, se Sócrates for inocente, toda a gente vai achar que se safou por ser ex Primeiro-Ministro e a Justiça em Portugal é uma palhaçada.
Se Sócrates for culpado, será culpado do crime que eventualmente cometeu e de tudo o que correu mal neste país desde a sua governação. O Governo de Passos Coelho ainda será recordado como a legislatura em que a corrupção foi combatida. Mesmo que o Governo não tenha nada a ver com a Justiça e mesmo que tenha sido dos piores Governos da Democracia. Há lá melhor bode expiatório que o Sócrates?

sábado, novembro 15, 2014

Lisboa já tem uma Chinatown

Como toda a gente sabe, todas as cidades grandes metrópoles do Mundo têm uma Chinatown: New York, Montreal, Londres, Melbourne, Paris, Joanesburgo, São Paulo, Buenos Aires...
Aliás, acho mesmo que uma das condições para que uma cidade seja considerada verdadeiramente cosmopolita é ter uma Chinatown.
Lisboa, que é tão ou mais cosmopolita que qualquer uma dessas cidades, não podia deixar de ter o seu enclave chinês.
Ainda me lembro do Martim Moniz ter uma população predominantemente africana e indiana. Aí há uns anos, havia imensa gente que ia lá comprar uns cigarros indianos cujo nome já não me recordo.
Mas, tal como aconteceu em Manhattan, a população chinesa começou a ultrapassar as outras etnias. Em Manhattan, começaram a ocupar Little Italy que agora se resume praticamente a uma rua. Em Lisboa, tomaram conta do Martim Moniz desde o final da Almirante Reis. É difícil encontrar uma loja que não seja chinesa. Provavelmente, dentro de pouco tempo, dominarão completamente a zona.
Por isso mesmo, o Martim Moniz é a Chinatown de Lisboa. Lembram-se de trocarem o nome da estação de metro Baixa-Chiado por publicidade? Qual tal trocarmos o nome ao Martim Moniz? Mas só informalmente, do estilo, "Este Verão vai haver Outjazz em Chinatown". Não dá logo um ar super cosmopolita?

sábado, novembro 08, 2014

Como identificar um turista em Lisboa

Como em qualquer grande cidade, é muito fácil distinguir os turistas dos locais. Viram como considerei Lisboa uma grande cidade? É mesmo assim!
Aqui vão alguns pormenores que denunciam um turista porque nenhum Lisboeta faz isto:

- Usar ténis de desporto com calças de ganga.


- Tentar jantar fora às 18h30.

- Usar um vestido de noite para jantar fora às 18h30.

- Usar saltos altos no Bairro Alto.

- Entrar num restaurante às 15h30 num fim-de-semana e pedir só e apenas um sumo ou um chá.

- Pedir chá no final da refeição em vez de café.

- Parar a meio dum lance de escadas para olhar para o mapa ou o guia turístico (com 20 pessoas atrás deles), parar no meio da Avenida Garrett, parar a meio duma passadeira para tirar uma foto, parar no meio de... Os turistas param nos sítios mais inconvenientes e mais repletos de gente.

- Pedir uma caneca de cerveja em vez duma imperial.

- Ficar bêbado depois de duas canecas de cerveja.

- Sentar-se numa esplanada da Rua Augusta.

- Tirar fotos com um tablet.

- Tentar comunicar em castelhano com os Portugueses mesmo não sendo espanhol.

- Demorar 10 minutos na máquina do Metro a tentar comprar/carregar um Lisboa Viva.

- Esperar que o sinal dos peões fique verde antes de atravessar mesmo que não haja carros num raio de 3 km.