domingo, dezembro 28, 2014

Frio? Em Portugal?!?

Acabei de ouvir um alerta de tempo frio para a Passagem de ano. No Telejornal, um médico aconselhava as crianças e idosos a não saírem de casa. Ok, eu percebo que ninguém quer apanhar uma pneumonia, entrar em hipotermia nem mesmo apanhar uma constipação.
O que eu não percebo é que durante o resto do Inverno, quando as temperaturas estão dentro da média para a época, as pessoas não saiam de casa por causa do frio.
Ainda há pouco tempo, uma colega minha que nasceu na Suiça, comentava que lhe fazia confusão as mães Portuguesas ficarem em casa com os bebés por causa do frio. Qual frio? Quanto muito, tempo mais fresquinho... Aparentemente, na Suiça, mesmo com neve, os bebés passeiam na rua. Se só saíssem de casa quando as temperaturas estivessem amenas, passavam mais de metade do ano fechados em casa. Coitados!
Agasalhem os pequenos e levem-nos a passear. Provavelmente, temos o melhor clima da Europa. E que tal aproveitarmos isso? Ah... esperem... o frio era desculpa para não terem de levar a criança à casa da sogra? Pronto... Peço desculpa. Para a próxima não digo nada.

sábado, dezembro 13, 2014

Civismo, versão 20.1

Estamos sempre a evoluir e tenho a nítida sensação que hoje somos mais civilizados que há 20 anos. Mesmo assim, posso sempre sugerir uns upgrades que nos facilitariam a vida:

- Encostem-se à direita quando estão parados nas escadas/tapetes rolantes para que as pessoas que vão mais depressa possam seguir pela esquerda. No Metro quase toda a gente faz isto e era bom que esta prática se alastrasse a centros comerciais ou quaisquer outros espaços públicos. Afinal, amigo não empata amigo.

- Na onda do amigo não empata amigo... Desamparem a loja no final da escada ou tapete rolante. Não fiquem parados sob pena de provocarem um choque em cadeia ou serem abalroados por quem não consegue sair das escadas ou tapete rolante.

- Sentem-se num espaço comum de restauração (como há nos centros comerciais) só e apenas depois de terem a refeição. Aproveito para contar uma história: no fim-de-semana passado, no Porto.come, as mesas eram corridas. Fui buscar um prego fantástico e sentei-me num lugar livre. Ao meu lado, com toda a fossanguice, senta-se uma senhora para ocupar o lugar enquanto o seu marido esperava na fila pela sua refeição. Entretanto, as pessoas que comiam ao meu lado acabaram a refeição e saíram. No lugar deles, sentou-se uma família com os respectivos pratos. A seguir acabei a minha refeição e saí. Onde eu estava, sentou-se um casal que já comia de pé. E, enquanto dois grupos de pessoas se revezaram, a senhora mantinha-se firme, a ocupar o lugar que só precisaria quando o seu marido saísse da fila que não parecia querer avançar. Ora se toda a gente se sentar apenas quando tiver as refeições e se levantar logo que as termine, a rotatividade destes lugares fica garantida e dá para todos nos sentarmos. Mas enquanto houver pessoas que ocupam uma mesa assim que chegam, esse lugar ficará ocupado durante mais tempo e quem chegou antes, se não tiver ocupado uma mesa também, não terá lugar para se sentar. Se toda a gente fizer o mesmo, rapidamente chegará ao ponto de não haver lugares para mais ninguém. E se não houver lugares para sentar, as pessoas não vão comer ali. E se as pessoas não comerem ali, não gastam o dinheiro naqueles restaurantes. E se os restaurantes não ganharem dinheiro, não podem pagar aos funcionários. E se não pagam aos funcionários, é porque estão falidos. E se estão falidos, fecham. E se fecham, há mais gente desempregada.
Resumindo, abancarem no centro comercial assim que chegam, para ocuparem lugar enquanto alguém vai buscar a comida, aumenta a taxa de desemprego. Parem com isso.

- Não furem as filas. Parece mentira mas ainda há quem o faça. É certo que já foi bem pior mas, de vez em quando, lá aparece alguém menos civilizado que tenta ser atendido antes dos outros que já lá estavam. Pior! Quando há uma fila de trânsito e um chico-esperto resolve ir pela berma. Apesar disso, tenho a impressão que em centenas de carros, deve haver só um que faz isto. Mas, e se houver algum veículo em marcha de emergência que precise efectivamente de usar a berma? Este apressado já estaria a atrasar quem tem muito mais pressa que ele!

É verdade que somos civilizados e há muito turista que podia aprender umas coisas connosco (ainda hoje ia albaroando um casal de turistas no final dumas escadas rolantes), mas só nos falta um danoninho para sermos mesmo exemplares.

sábado, dezembro 06, 2014

O turismo de carneirada

O turismo de carneirada é uma modalidade que só descobri este ano mas tenho muita pena de não a praticar desde sempre. Não estou a falar de viagens organizadas nem das visitas guiadas por uma senhora de chapéu de chuva fechado e espetado no ar.
Estou a falar daqueles passeios turísticos que fazemos sozinhos ou com o(s) nosso(s) companheiro(s) de viagem mas que chega sempre a um impasse numa certa altura. Sigo em frente, vou para a esquerda? Ou para a direita? Ai que agora já não há setas para a atracção turística. Saco do mapa ou do smartphone? Nada disso!!! Sigam a carneirada. Não tem nada que enganar. Se virem pessoas com mochila ou máquina fotográfica em punho, sigam-nos.
E porque é que esta técnica não falha? Porque quando estamos numa zona turística, vamos inevitavelmente estar rodeados de outros turistas. É altamente improvável sermos os únicos turistas num sítio destes. Se seguirmos a carneirada vamos sempre encontrar a atracção turística que procurávamos. Se forem preguiçosos, conseguem fazer uma viagem inteira sem comprarem um guia nem descarregarem uma aplicação turística.
É a preguiça a dar frutos.
Não é que eu não goste de andar perdida. Já descobri uns tesourinhos bastante interessantes por me perder. Os jardins do Senado em Praga (Wallenstein Garden) são muito interessantes mas não os descobriria se tivesse seguido a carneirada . Nem a minha casa de chá preferida (U Zeleneho Caje). Nem a entrada duma auto-estrada em Estocolmo (esta era escusada).