sábado, dezembro 19, 2015

Disparates da semana

"Vou ficar aqui a jogar Facebook"

"Vou a um casamento na Estufa Fina"

"Ela é chinesa ou é branca?"


terça-feira, dezembro 08, 2015

Boas práticas em TODOS os transportes

Os Transportes de Lisboa têm uma campanha contra a falta de civismo nos transportes públicos destinada nomeadamente a quem fala alto e bom som nos trasportes públicos:


Será que podem colar estes cartzes nos aviões também? Também são um transporte público e, apesar de não se poder falar ao telemóvel, não me apetece mesmo nada ir sentada na fila 20 e ouvir a conversa das senhoras da fila 9 sobre a chiqueza que é fazerem jogging no estrangeiro.
Ah, e por falar nisso, acho que as pessoas ainda não pereceberam que andar de avião deixou de ser chique há mais de 10 anos. Assim que apareceram as low cost, o preço dos bilhetes de avião dentro da Europa passou a ser mais barato que muitos comboios. Aliás, ir de Lisboa ao Porto na Ryanair pode custar o mesmo que o Alfa Pendular...
Só para vos relembrar que, quando estiverem no metro a dizerem que Florença é o vosso retiro artístico (apesar de só lá terem ido uma vez na vida), provavelmente estarão rodeados de meia dúzia de pessoas que também já lá foram, ou que fizeram lá Erasmus, ou que passam lá todas as férias da Páscoa... e que estão a pensar que sois uns saloios deslumbrados.
Ah, e não pensem que isto só se aplica à Europa. Dá para pararem de falar de Nova Iorque como se fosse uma viagem super exclusiva a que só uns poucos eleitos têm acesso? Os voos são mais baratos que para o Sudeste asiático e quase toda a gente tem um familiar em Newark...

sábado, novembro 21, 2015

Disparates da semana

"Ele lá conseguiu vincar na vida"

"Tivemos aqui uma estagiária durante 2 anos. Não lhe pagámos mas eu ajudei a miúda a escolher o melhor sítio para fazer um curso de formadores quando saiu daqui. Hoje para ela, amanhã para mim. É uma forma de estar na vida..."

Conversa dum casal com bebé para um casal sem bebé:
- Ela estava na sala de partos e eu só pensava em arranjar uma geleira. Pedi à minha mãe que fosse à Decathlon comprar uma. A única coisa que ela me pediu foi uma geleira para guardar a placenta. Se falhasse nisso, falhava em tudo.
- Comer a placenta ajuda a combater a depressão pós-parto. Guardei-a no frigorífico e punha em batidos, por exemplo.

domingo, novembro 15, 2015

Solidariedade temporária?!?!

Mesmo quando parece consensual que um ataque terrorista é um acto criminoso hediondo e que todos os seres humanos se sentem chocados pelo assassínio de inocentes, há quem esteja tão habituado a ser do contra que tem sempre de arranjar uma justificação para não concordar com a maioria.
Têm uma foto com as cores da França no perfil do Facebook? Isso e só temporário... é como a vossa solidariedade.
Solidariedade temporária? A sério? Acham mesmo que podem criticar as pessoas que mostram solidariedade com as vítimas do terrorismo porque para a semana mudarão a foto do Facebook? Quão fútil é este argumento? Até nestas alturas têm de dizer mal dos outros? O mais importante aqui é mesmo a foto que cada um põe no Facebook? A sério?
Lembram-se onde estavam quando souberam dos atentados de 11 de Setembro? Eu lembro-me muito bem. A minha família também. Os meus amigos também e os meus colegas também. Claro que não tínhamos 5 anos... O mundo mudou nesse dia e seguiram-se atentados em Londres e Madrid que demostraram que o 11 de Setembro não tinha sido um caso isolado e que o resto do Mundo não podia continuar autista a achar que os conflitos e os extremismos no Médio Oriente eram questões regionais. Só que na altura não havia Facebook. Se houvesse, veriam certamente muitas imagens de solidariedade. Seria uma solidariedade temporária também? Alguém se esqueceu de algum destes atentados? E agora alguém banalizou o atentado do Líbano ou de Bagdad?
Os atentados de ontem foram tão graves como os que são feitos pelo resto do Mundo. Não há nacionalidades mais importantes que outras, obviamente. Mas o auto-denominado Estado Islâmico, que no seu nome já se declara teocrático, atacou o berço do Estado laico.
A Revolução Francesa, que se celebra na data da tomada da Bastilha (que delimita precisamente o 11e arrondissement), foi fundamental na separação entre religião e Estado, precisamente o oposto que estes terroristas tentam impor. Além disso, marca o ínicio da Era Contemporânea. Atacar Paris também tem esta carga simbólica.
Mas vamos lá dizer mal das pessoas que mostram solidariedade com os Franceses no Facebook tentando ostentar uma superioridade intelectual que não têm! Isso sim é verdadeiramente importante!

terça-feira, novembro 10, 2015

Sobre a queda do governo

Tenho o feed de notícia do Facebook empestado de insultos e palavrões porque o governo caiu. Pessoas que nunca escreveram qualquer conteúdo político manifestam a sua opinião como se tivesse acabado um Benfica-Sporting com uma goleada.
Não, não me refiro apenas a apoiantes da PAF...
Para todos vós, recém-chegados ao mundo da Política, deixo-vos uma regra muito simples: Política não é troca de insultos, não é uma batalha de bocas nem uma guerra de palavrão. Falar de política é partilhar as nossas convicções e discutir ideias. Se as vossas ideias políticas se limitam a vocabulário sinónimo de alguma das palavras na lista abaixo, dediquem-se a qualquer outra actividade ou ocupem-se a adquirir conhecimento que vos permita ter ideias:
Nojentos, ladrões, asno, tacho, esquerdalha, direitola, aziado, inergume (e qualquer erro órtográfico em geral), energúmeno, zé-ninguém, esganiçadas (ou quaquer comentário machista, racista ou homofóbico), eskumalha (entra numa categoria particularmente irritante do erro ortográfico).
A utilização deste vocabulário é permitida apenas a detentores de conhecimento político provado, comprovado e reconhecido nos casos em que estiverem profundamente revoltados, ou em legítima defesa quando a resposta às vossas ideias for um ou mais sinónimos da lista acima. Para quem tem o super-poder da abstracção e consegue alhear-se de insultos, tenham a minha reverência ó almas iluminadas... ou preguiçosos, se calhar são só demasiado preguiçosos...

domingo, novembro 08, 2015

Disparates da semana

Vou inaugurar uma nova rúbrica em que escrevo as frases mais disparatadas que ouvi durante a semana.

Começo com uma frase ouvida na manicure às 19h30 dum dia de semana:
- Não me ponha creme nesses dedos que eu ainda tenho de ir picar o ponto.

Ouvido na Corrida "Sempre Mulher":
- Mandei-o comprar castanhas e água-pé e ele gastou mil Euros!
(digo eu que a senhora se deve estar a esquecer que, pelo caminho, o senhor em questão comprou um televisor ultra HD com tecnologia 3D e ecrã curvo)
- Para trabalhar, vocês não têm pressa! - pessoa que caminhava e era ultrapassada pelas pessoas que corriam porque, tal como o nome do evento indica, trata-se duma corrida...


sábado, novembro 07, 2015

Ser de direita não te torna fino

Sabem aquelas pessoas que são de esquerda porque querem parecer rebeldes e os que são de direita para parecerem finos? Tenho uma informação para essas pessoas: isso é estúpido!
Uma ideologia política tem a ver com convicções, não tem a ver com aparências.
Dizerem-se de esquerda para parecerem rebeldes e consumirem drogas leves é incoerente se forem xenófobos e contra o casamento homossexual.
Serem de direita mas reclamarem que os serviços públicos deviam ter melhor qualidade e mais funcionáros para satisfazerem as necessidades dos utente, não faz sentido. Tal como não faz sentido revoltarem-se com os 5 contratos de trabalho que já vos fizeram sem vos passarem a efectivos e depois continuarem a votar em programas de governo ultra-liberais. Querem que o Estado continue a garantir serviços de qualidade? É preciso que o Estado gaste dinheiro nesses serviços... Querem passar a efectivos depois de 6 meses porque já provaram que são funcionários competentes? É preciso que o Código do Trabalho mude.
Depois dizem coisas assim:  "Ah, mas eu sou muita católica, quero imenso ter 5 filhos e isso é de direita!".
Ser católico não é incompatível com a esquerda. Aliás, parece-me batante estranho que um católico se oponha a uma redistribuição da riqueza mais justa para que todos possam viver com dignidade só porque têm medo que os subsídios do Estado sejam entregues a grupos étnicos conotados com o crime de contrafacção... A menos que achem que a única redistribuição de riqueza válida seja a caridadezinha cristã... Aí talvez de identifiquem mais com um CDS-PP...
Sim, não vão encontrar a democracia cristã nem no Bloco nem no PCP... Mas se tiverem um emprego e quiserem gozar uma licença de maternidade maior, prolongar a licença de amamentação ou garantir que o pai da criança não tem só 15 dias para gozar a licença de parentalidade, talvez estejam mais interessadas no programa dos Partidos da esquerda... Se não conseguirem pagar o ensino privado aos filhotes a partir do terceiro rebento e tiverem de os matricular na escola pública, se calhar preferem uma escola pública com boas condições, professores motivados e ensino de qualidade. E isso não se faz com programas que promovem o desinvestimento na educação.
Agora, se te borrifas para a igualdade de géneros e para a cultura ou achas perfeitamente legítimo que o bilhete mais barato para o São Carlos custe 100 EUR porque pobre não gosta de Verdi... Aí és o Caco Antibes:


Se, em vez disso, achas que os ricos é que devem pagar a crise, que ter dois pais ou duas mães é melhor que não ter nenhum e que não devia ser preciso gastar metade dum ordenado médio em material escolar, talvez te inclines mais para a esquerda...
Mas, independentemente das convicções, é preciso que não vejam a política como um clube de futebol. Não é suposto votarem sempre nos mesmos só porque já os vossos antepassados o faziam. Aliás, a volatilidade eleitoral até é uma característica dos eleitores mais informados.
E só mais uma informação... de acordo com vários perfis sociodemográficos do eleitorado tuga, sabem quem é que é tradicionalmente de direita? Os eleitores com menor grau de escolaridade.
Os eleitores de direita já estão todos assanhados porque lhes chamei analfabetos. Não, isso seria uma falácia. Lá porque as pessoas com graus de escolaridades mais baixos votam tradicionamente na direita, não significa que os eleitores de direita sejam todos iletrados. Só quero explicar que essa ideia que gente fina vota à direita é falsa.
Por outro lado, o Bloco de Esquerda costuma ter uma maior percentagem de eleitores com nível de ensino superior. Se calhar não são só os miúdos que frequentam festivais que vão à urna votar no Bloco...

domingo, novembro 01, 2015

Quem gosta de receber souvenirs?

Questiono-me porque é que as pessoas oferecem souvernirs. Que utilidade tem um copo de shot a dizer Mallorca ou um conjunto de mini sabonetes de Bali?
Pronto, significa que aquela pessoa foi de férias mas não se alheou completamente do Mundo e lembrou-se que existimos. Sempre que virmos aquele souvenir, relembramo-nos que o nosso familiar fez férias naquele destino escrito na peça de artesanato Cabo Verdiana que não sabemos se fica melhor na sala em frente a televisão ou no quarto junto ao despertador. Sejamos sinceros, aquela peça mal acabada pode ter ajudado o artista a por uma refeição na mesa da família mas não fica bem em lado nenhum da nossa casa, onde não temos bibelots. Se eu não tenho um gatinho de loiça por cima do DVD, porque é que vou ter um sapinho da Tailândia?
Para a maioria de nós, os souvenirs vão todos parar a uma gaveta qualquer e nunca mais nos lembramos que lá estão. A menos que façam colecção de postais ou ímans, os únicos souvenirs que talvez tenham utilidade são as t-shirts.
Confesso que até gosto dum chocolatinho suiço, duns bombons Leonidas ou dumas wafers da República Checa mas juro que não me ofendo nada se forem passear e não me comprarem uma prenda.
E se a maioria das pessoas não ligar nenhuma a souvenirs mas continua a oferecê-los porque acha que os outros até gostam de os receber? E se o conceito de oferecer souvenirs for um mito que ninguém vai desmascarar para não ferir susceptibilidades? Nunca saberemos porque ninguém vai dizer:
- Oh Joana, ainda bem que te divertiste na tua lua-de-mel mas este mini sombrero decorativo que me trouxeste de Cancun é tão piroso que nunca verá a luz do dia em minha casa...

domingo, julho 26, 2015

Talento é para os pobres!

Quem precisa de talento quando se tem uma família com influência?
Estamos no sul da Europa, quer-se dizer... A família vem sempre em primeiro lugar. Meritocra...quê? O que é isso?
Vejam o exemplo da apresentadeira do programa genial que a SIC Mulher engendrou: "A Minha vida dava um blog". Sim, estou a falar da Mónica Santana Lopes que tem tanto jeito para apresentar programas como uma alforreca desidratada. Claro que quando o tio é o Pedro Santana Lopes, não precisa de ter jeito para grande coisa. Há sempre um cargo à sua espera nos Jogos Santa Casa. Sim, da Santa Casa da Misericórdia cujo provedor, por mero acaso, é o Sr. Pedro Santana Lopes.
Mas isso foi cargo de pouca dura que agora, além de blogger e apresentadeira, Mónica também é funcionária do Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão da... pasme-se... Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Querem a fonte? É o próprio Linkedin da Mónica:


sábado, junho 27, 2015

A todos os Portugueses radiantes com a legalização do casamento gay no EUA

Sabiam que o casamento gay é legal em Portugal desde 2010?
É que a maioria das pessoas Portuguesas  que estão radiantes a fazer posts sobre a legalização do casamento gay nos EUA, não disseram nada há 5 anos... Será que já perceberam que vivem em Portugal? E que Portugal não é nenhum estado dos EUA?
Pronto, era só para confirmar.

sábado, junho 13, 2015

Mas desde quando é que é preciso ser pobre para se ser de esquerda?

Nasceste numa família abastada e és de esquerda? Então qualquer opinião que tenhas pode ser contestada através de "insultos" como:

- esquerda-caviar
- menina/menino-bem
- mimada/mimado
- privilegiada/privilegiado que não sabe o que custa a vida

Naturalmente que estas acusações não partem de meninos-bem, mimados nem privilegiados. Estes insultos vêm precisamente daqueles que não têm a vida facilitada porque não nasceram em berços de ouro. Ou seja, as acusações são feitas precisamente pelas pessoas pelas quais a esquerda-caviar luta. Na minha terra, chama-se a isto cuspir na sopa.
Pronto, era isto.

sábado, junho 06, 2015

A notícia da semana

Toda a gente se interroga sobre a origem do dinheiro que o Sporting pagará a Jorge Jesus... Tendo em conta que a notícia da contratação do técnico coincidiu com a apresentação do programa eleitoral da coligação PSD/CDS-PP, tenho cá uma desconfiança que foi o governo que injectou dinheiro no Sporting para ninguém reparar que o programa não diz nada ;)



sábado, maio 30, 2015

Turistas e viajantes

Antigamente não era assim tão fácil viajar. Antes das low-cost os preços dos bilhetes de avião eram proibitivos. Uma viagem de médio curso custava o mesmo que ir para o Sudeste asiático hoje em dia.
Com a diminuição dos preços das tarifas, aumentou naturalmente o número de pessoas a viajar. Por isso, já não basta viajar. Já não basta ter estado em todos os continentes nem conhecer 50 países. Ser turista agora tem conotação pejorativa. Isso de ir a Paris e ver a torre Eiffel e subir ao Arco do Triunfo é para bimbos. Um verdadeiro viajante nem vai a Paris. A cidade por si só é demasiado turística. Agora o que vale é ser um viajante. É desprezar todos os ícones duma cidade, é viver como os locais, privar com os locais, comer como os locais...
Como alfacinha, posso tentar explicar o que pode ser entendido como ser um verdadeiro viajante em Lisboa: nunca subir ao Castelo de São Jorge, não meter os pés em Belém a menos que haja Outjazz, ignorar Alfama a menos que seja a noite de dia 12 de Junho, desprezar todos os transportes públicos especialmente eléctricos e aproximar-se da Baixa só depois do anoitecer. Durante o Verão só se podem alimentar de sardinha assada com salada de pimentos. Qualquer variação pode ser considerada ofensa pública.
Será que é assim tão boa ideia armarem-se em locais para conhecerem uma cidade?
Há algum tempo alguém gozava com a nova obsessão das viagens e dizia que quem não viaja é menos pessoa. Há desenvolvimentos. Como quase toda a gente viaja hoje em dia, agora quem viaja como um turista é que é menos pessoa:


Se forem a um país pobre, não vale ficar num hotel confortável e de qualidade. Ir a restaurantes caros? Jamais (ler em francês, faxavor)!
Eu sou completamente a favor de descobrir coisas novas. Aliás, nem faz sentido viajar se não for para termos contacto com novas realidades. Mas pôr um rótulo nas pessoas que gostam de visitar os clichés todos e são demasiado tímidas para meter conversa com desconhecidos?
Não me canso de apregoar todas a vantagens de se viajar sem mapa e sem plano e andar perdido a descobrir sítios novos. Mas será que dá para não implicarem com as pessoas que gostam de planear tudo ao segundo? São viajantes piores por isso?
Sabem o que é um mau viajante? É alguém que vai a uma cidade gigante num fim-de-semana, faz todas as refeições no Mcdonald's, tira 50 fotos em frente às atracções turísticas e enfia-as no Facebook para dizer a toda a gente que viajou. Posers!

sábado, abril 18, 2015

Utilitarismo intelectual

Se há coisa que me irrita é perguntarem-me porque é que tirei um curso na área das Ciências Sociais se sabia que não ia arranjar emprego na área. Isto pressupõe que o conhecimento académico só serve como mecanismo de procura de emprego. Se a área de estudos não se traduzir em trabalho remunerado onde seja posto em prática o conhecimento adquirido na Universidade... não presta. E esta forma de pensar é perigosa.
Quando entrei na faculdade, os Engenheiros Civis tinham emprego garantido. Quando saí da faculdade, os engenheiros civis já tinham algumas dificuldades. Neste momento, é melhor emigrarem.
Lembro-me duma colega minha de secundário se gabar que tinha sido facílimo encontrar emprego como enfermeira. Até teve oportunidade de escolher o hospital que pagava melhor. E agora?
Se toda a gente escolher as áreas que têm empregabilidade, o mercado nessas áreas ficará esgotado rapidamente. Não há empregos com vagas infinitas. E, obviamente que quanto maior for a oferta de profissionais numa área específica, mais os salários baixam. Porque é que acham que temos falta de médicos mas não abrem mais cursos de medicina?
Se ninguém tirar História, o que será dos museus, das bibliotecas, dos arquivos, dos monumentos? Vamos esperar que se reformem todos os historiadores antes de formarmos outros? Vamos manter a investigação histórica no nível em que está porque fazer investigação não gera empregos? Porque há demasiados doutorados em História que não conseguem trabalhar na área? Afinal que utilidade tem a História? Até nos pode impedir de cometermos erros cometidos anteriormente. Mas o que é que isso interessa?
Outro exemplo muito giro é a Ciência Política:
- Porque é que tiraste um curso de ciência política? Para seres político?
- Não. Numa democracia, qualquer pessoa pode ser política independentemente das suas habilitações literárias desde que reúna votos para ser eleito.
- Então para que é que isso serve?
Esta conversa lembra-me sempre um professor que tive e que dizia que a pouca importância que se dá à ciência política é sintomática duma democracia recente que ainda não amadureceu.
Para que serve então a ciência política? Para os americanos serve para isto:
Activist, Advocate/Organizer; Administration, Corporate, Government, Non-Profit, etc.; Archivist, Online Political Data; Budget Examiner or Analyst; Attorney; Banking Analyst or Executive; Campaign Operative; Career Counselor; CIA Analyst or Agent; City Planner; City Housing Administrator; Congressional Office/Committee Staffer; Coordinator of Federal or State Aid; Communications Director; Corporate Analyst; Corporate Public Affairs Advisor; Corporate Economist; Corporate Manager; Corporate Information Analyst; Corporate Adviser for Govt'l. Relations; Corporate Executive; Corporation Legislative Issues Manager; Editor, Online Political Journal; Entrepreneur; Federal Government Analyst; Financial Consultant; Foreign Service Officer; Foundation President; Free-lance writer; High School Government Teacher; Immigration Officer; Information Manager; Intelligence Officer; International Agency Officer; International Research Specialist; Issues Analyst, Corporate Social Policy Div.; Journalist; Juvenile Justice Specialist; Labor Relations Specialist; Legislative Analyst / Coordinator; Lobbyist; Management Analyst; Mediator;Plans and Review Officer, USIA; Policy Analyst; Political Commentator; Pollster; Public Affairs Research Analyst; Public Opinion Analyst; Publisher; Research Analyst; State Legislator; Survey Analyst; Systems Analyst; Teacher; University Administrator; University Professor; Urban Policy Planner...
Para os canadianos serve sensivelmente para a mesma coisa, Aliás, para os Americanos é dos empregos mais bem pagos para quem não gosta de stress.
Claro que estamos a falar duma realidade diferente da nossa. Mas será assim tão diferente que nós nem sabemos o que é a ciência política?
Aqui mais perto, em França, de acordo com dados de 2012, 65% dos licenciados em Ciência Política trabalhavam no sector privado, 7% trabalhavam em organizações internacionais ou instituições Europeias e 28% trabalhavam no sector público. Ah e tal mas podiam estar a lavar escadas... Será? Com um ordenado bruto médio de 43 856 EUR anuais, 15 meses após acabarem o curso... nem se pode dizer que estivessem a ganhar ordenados de call centre...
Que tipo de sociedade seremos se, no futuro, a formação académica se tornar utilitarista e ignorarmos as áreas artísticas, as ciências sociais e humanas? Seremos umas bestas quadradas. Mas seremos umas bestas quadradas com emprego na área que estudámos. Será? Daqui a 10 anos, quando qualquer criança tiver noções de programação e for possível criar software com a facilidade com que se cria uma apresentação em Power Point, haverá lugar para todos os engenheiros informáticos?
Lembram-se quando os advogados eram bem remunerados e tinham emprego garantido? Depois apareceram faculdades privadas como cogumelos a dar cursos de direito a quem acabava o secundário com média de 10... E agora nem quem tira Direito numa Faculdade de jeito se safa...
Cada vez que alguém reduz a formação académica à sua utilidade prática imediata, está a contribuir para a limitação do conhecimento. E sabem qual é o nome dos intelectualmente limitados? Estúpidos!
Se o objectivo é ficarmos mais estúpidos, o caminho é esse. Reduzam-se só e apenas ao que vos pode pagar as contas ao fim do mês.

sábado, abril 11, 2015

Olha só esta obra de arte

Adoro aquelas pessoas que tiram uma foto ao pôr-do-sol com o horizonte todo torto e põem uma marca de água na foto antes de a partilharem:




E aquelas fotos tão básicas que até o nosso sobrinho tirava aos 6 anos?  Têm de a assinar antes de ser publicada!








E os "nus" a preto e branco ou sépia com pinta de produção caseira?




Não há aqui falta de auto-estima!


domingo, abril 05, 2015

A língua Portuguesa é tão rica...

Enquanto portugueses, se há algo de que não nos podemos queixar, é da Língua Portuguesa. Temos vocabulário, ditados e expressões populares que se adaptam a todas as situações. Por isso é que, cada vez que um português diz uma expressão em inglês no meio duma conversa na sua língua nativa, leva logo o rótulo de bimbo. Lembram-se da conversa da treta e do "Do you know what I mean?" "Anyway". A menos que aspirem a ser um Zezé ou um Tóni, não usem expressões em inglês!
E já que falamos em misturar línguas numa única conversa, aproveito para informar que se usarem expressões em francês, não parecem mais finos nem intelectuais... só parecem parvos. 
Capisce?

domingo, março 29, 2015

Diplomacia hereditária

Ora, parece que uma senhora Portuguesa achou que o apelido da família e a profissão que o seu pai desempenhou serviam para alguma coisa na Finlândia. Maçarica! Podem saber os pormenores aqui mas deixo-vos desde já a minha parte preferida do artigo:

Logo se lhe dirigiu um “rapaz” que lhe explicou que “por uma questão de segurança” seria difícil deixá-la entrar. Fátima Perestrello tratou de o sossegar: “Sou uma pessoa calma e educada”. E foi neste momento que terá pronunciado a frase controversa: “Você não compreende que sou a embaixadora portuguesa? Você sabe que sou embaixadora e já o meu pai era embaixador?“. Algo que confirma ter dito, mas não no tom relatado pelo jornal.

E pronto, não tenho mais comentários sobre este assunto.

sábado, março 14, 2015

Quem quer vai... quem não quer, fica

Sabem quando dizem a alguém que vão viajar para fora do País e essa pessoa vos pergunta se conhecem bem Portugal? Sabem aquelas pessoas que nunca saíram do País porque dizem que preferem conhecer o nosso País antes de conhecerem outros?
Acho que toda a gente conhece pessoas que utilizam estes argumentos. E sempre que alguém usa este argumento, eu dou-me ao trabalho de explicar os meus:
- Sim, conheço bem o meu País porque tenho a sorte de ter família de diferentes distritos e porque temos um País pequenino. Mas, e se vivêssemos num País como o Brasil ou os Estados Unidos?  Ou na China?!? Com esse argumento, estaríamos condenados a nunca sair do País onde nascemos porque é tão extenso que nunca o conheceremos suficientemente bem;
- Porque é que somos obrigados a ver tudo o que há no nosso País antes de vermos outros? Há alguma cronologia de viagens obrigatória que temos de cumprir para não sermos julgados?
- Porque é que temos de conhecer Bragança antes de conhecermos Pequim? Será que conhecer Évora depois de irmos a Roma vai encolher o Templo de Diana?
- Sabiam que depois de visitarmos outros países, vemos o nosso doutro prisma e damos ainda mais valor ao que é nosso (porque é quase sempre mais bonito...)?
- Sabiam que esses argumentos vão ser esquecidos assim que entrarem num avião e rumarem a qualquer sítio longe daqui do belo rectângulo?
Sim, porque na maioria dos casos, quem usa estes argumentos não fala outra língua além do Português e não tem coragem de viajar sem falar uma língua estrangeira... e, azar dos azares, as viagens para o Brasil ou para Cabo Verde não são tão baratas como Paris ou Londres... Ou isso, ou têm pânico de andar de avião e este argumento, quase moralista, justifica o facto de não viajarem para o estrangeiro tentando incutir um sentimento de culpa a quem o faz.
A todas as pessoas que usam este argumento: não julguem os destinos alheios e pensem bem nas razões pelas quais não saem de Portugal. Não são obrigados a ir para fora, como é óbvio. Mas também não têm de julgar as pessoas que o fazem.

sábado, março 07, 2015

Eu até podia dizer mal... mas há quem diga pior

Até sou pessoa para ter escrito aqui um post a desancar nas criaturas que vão aos festivais sem conhecerem banda nenhuma... não me lembro se escrevi ou não, mas encontrei alguém que escreveu e como eu não diria melhor, faço minhas as palavras dele. Tomem: http://www.newintown.pt/cronica.php?id=2047

sábado, fevereiro 21, 2015

Professor Karamba e seus colegas

Hoje cheguei ao carro e tinha isto na escova do limpa para-brisas. Não é inédito, De vez em quando lá tenho publicidade a um professor espiritualista qualquer:


Há aqui algumas questões que se impõem e a primeira de todas é: Porque é que todos estes espiritualistas são Professores? O que é que eles ensinam? Espiritualismo? Para isso não basta ser formador? Formador Salimo... Tem menos credibilidade, se calhar.
Será que o Professor Karamba deu aulas a estes Professores, que depois ensinam outros espiritualistas como se faz o ofício?
Mas reparem: o Professor Salimo sabe que os proprietários das viaturas onde colocou a sua publicidade, são pessoas com problemas. Ele não pergunta. Ele afirma com veemência "Tem algum problema com a sua mulher ou marido ou algum problema!" Reparem no ponto de exclamação. Tendo em conta que o meu carro tem 20 anos, é bastante provável que o carro venha a ser um dos meus problemas. Mas nisso não posso contar com o Professor Salimo. Mecânica de automóveis não entra na sua lista de competências.
Mas tenho problemas de lotaria. E o maior deles todos é que nunca comprei uma lotaria...
Para a perda de voz, costumo tomar Strepsils. Devem ser mais baratas que uma consulta do Professor Salimo.
Às vezes também tenho problemas de promoção. Por norma, esses problemas acontecem na zona da Av. de Liberdade. A loja da Gucci nunca faz promoções suficientes para que eu consiga comprar uma malita.
Mas reparem que este não é um espiritualista qualquer. Ele não se limita a resolver os problemas. Se for preciso, também os arranja. Reparem como faz regressar exorcismo (será um remake ou o director's cut?) e problemas de casais. Se a vossa vida em casal estava monótona, podem sempre fazer regressar umas discussões para apimentar a vossa relação.
Quando não está a trabalhar como espiritualista, o Professor Salimo, é agente imobiliário e faz regressar vendas de casas. Ele tem a solução para a crise do mercado imobiliário: Pagam-lhe uns 100 EUR e ele fica com a casa que vocês não conseguiam vender.

sábado, fevereiro 14, 2015

Dia de S. Valentim

Ora hoje é Dia dos Namorados. Aquele dia em que (praticamente) todos os casais fazem o mesmo. Deve ser o dia menos original do ano. E eu não queria deixar de o assinalar.
Hoje, os restaurantes estarão cheios de casais porque todos têm de jantar fora no mesmo dia. Claro que os restaurantes aproveitam e muitos deles decoram a casa a rigor e fazem menus temáticos. Esses menus serão executados às três pancadas porque aqueles casais não vão voltar, a casa está cheia independentemente da qualidade dos pratos e, provavelmente, ainda vão inflacionar os preços.
Como este ano até calha ao fim-de-semana, vários hotéis estarão cheios de casalinhos que vão desfrutar dum pacote especial com jantar incluído, onde só existirão mesas de 2 pessoas e os pratos serão iguais para todas as mesas. Haverá champagne com frutos vermelhos e balões em forma de coração.
Compram-se perfumes, relógios e, graças às "50 Sombras de Grey", algemas, chicotes e parafernália afim.
Todas as marcas nos desejam um Feliz dia dos Namorados.
Nas redes sociais, os enamorados declaram o seu amor aos respectivos. Quem não está enamorado manda bocas porque, se tivesse namorado(a), estaria num desses restaurantes cheios de casais.
Mas sabem o que é que eu aprecio mais no dia de S. Valentim? A coerência. Aquela amiga que no ano passado fazia posts amargos e organizou um jantar de solteiras, este ano publica fotos com o mais-que-tudo com quem foi jantar fora. Parece que não é coerente? Aí é que se enganam... Assumidamente, esta jovem aprecia o dia dos Namorados e não o deixa passar em branco independentemente de estar solteira ou comprometida. Só a forma de comemoração é que muda!

sábado, janeiro 31, 2015

As piores clientes do Mundo

Ontem li um artigo do António José Saraiva sobre a pior vendedora do Mundo:
http://sol.pt/noticia/123005
Hoje fui à Kiehl's do Chiado e lembrei-me deste artigo. Não por ter sido mal atendida, mas pela descrição das senhoras chatas que pediam para desarrumar metade da loja e saíam sem levar nada. Só que neste caso não era uma senhora. Era uma jovem que nem 30 anos devia ter, mas queria desesperadamente manter a mesma cara até aos 70. Enquanto pagava uns 3 artigos, perguntava por mais um creme, se era mais forte, se era mais hidratante, se era como o creme de olhos que ela tinha levado... A funcionária respondia, explicava, debitava todos os ingredientes de cada creme... e a fila atrás da menina mantinha-se imóvel.
E o calor insuportável dentro da loja fazia as restantes clientes perderem 1L de água à hora. Mas ela já tinha experimentado o creme xpto e não era hidratante... ou era demasiado hidratante... vá-se lá saber... E a fila desesperava. Respiro fundo e desabafo, entredentes, que nem com os cremes todos da loja, vai passar a ter a cara da Gisele Bündchen. Mas havia sempre mais uma questão sobre esse tema fracturante que é a hidratação.
E quando finalmente a jovem ritifóbica desampara a loja, as clientes à minha frente são atendidas e em menos de 10 minutos estou na rua.
Acho que a criatura chata é neta das senhoras descritas pelo António José Saraiva e ser uma pica-miolos no comércio é um problema genético.


sábado, janeiro 24, 2015

Lei de Jante

Ontem, enquanto via o episódio do Parts Unknown em Copenhaga, descobri a Lei de Jante.
Já estive em Copenhaga e em Estocolmo mas, obviamente que sem privar com locais e fazendo só uma escapadinha de 4 ou 5 dias, não dá para conhecer a cultura escandinava suficientemente bem. Ficamos com uma ideia...
Sim, é verdade que basta entrar em Christiania para se perceber que estamos noutro mundo mas Christiania não é, de todo, o espelho de Copenhaga, quanto mais da Escandinávia.
Ora, voltando à Lei de Jante, trata-se duma norma informal com dez regras:

  1. Não pensarás que és especial.
  2. Não pensarás que estás no mesmo patamar que nós.
  3. Não pensarás que és mais inteligente que nós.
  4. Não acreditarás que és melhor que nós.
  5. Não pensarás que sabes mais que nós.
  6. Não pensarás que és mais importante que nós.
  7. Não pensarás que és bom em alguma coisa.
  8. Não rirás de nós.
  9. Não pensarás que nós nos importamos contigo'.
  10. Não pensarás que nos podes ensinar alguma coisa'.
Aparentemente, esta lei está implícita na cultura escandinava. Claro que o facto de serem Luteranos influencia tanto ou mais esta cultura. Terem uma população altamente educada também é capaz de ajudar. De acordo com dados da OCDE, 77% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio enquanto que em Portugal, só 35% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. Ouch! Deve ter sido por isso que Salazar foi considerado o maior Português de sempre.
Ainda há uns tempos li um artigo (que agora não consigo encontrar) que defendia precisamente que os índices de corrupção mais elevados e consequente atraso económico estavam relacionados com a cultura católica que privilegiava o eu em função dos outros. Ou seja, em primeiro lugar estou eu, depois a minha família e só por fim estão os outros.
Nos países de tradição protestante, os outros vêm em primeiro lugar, depois a família e, por fim, o individuo.
O típico "chico-espertismo" tuga implica precisamente que o indivíduo se acha especial, mais esperto que os outros, logo melhor que eles porque acha que sabe mais e ainda se fica a rir dos burros que atropelou com o seu "chico-espertismo". Só que como já muita gente percebeu, este "chico-espertismo" acaba por ser um tiro no pé porque favorecer o clã através das cunhas significa frequentemente que a competência e os serviços prestados vão ser sacrificados. E como se sabe, a incompetência custa dinheiro... e não é pouco!
A evasão fiscal e a corrupção também nos custam muito dinheiro... a todos!
Mas sabem qual é o argumento para justificar que não aprendemos nada com os Escandinavos? Que esse pessoal se suicida à força toda. Se fosse tudo assim tão bom, não estavam sempre a matar-se. Isso é tudo muito giro mas eles não têm o nosso sol nem o nosso clima.
O facto da Dinamarca ser o país mais feliz do Europa não conta para nada. Feliz mesmo é que tem o nosso sol!

sábado, janeiro 17, 2015

A mania das grandezas das marcas Portuguesas

Somos o país mais baixo da Europa e mesmo assim as marcas Portuguesas não têm secção petite.
Mas as marcas Portuguesas acham que somos holandesas ou suecas?
Porque é que cabem duas Portuguesas pequenas num S da Lanidor?
A altura média da mulher Portuguesa é 1,62 m, ou seja, é pequena! Haverá ainda mais pequenas tal como haverá bastante maiores mas devíamos usar 1,62 m como referência.
Querem roupa em que não precisam de fazer bainha e todas as pregas e ganchos ficam no sítio certo? Passem no El Corte Inglés onde têm uma pequena secção petite com roupa horrorosa. Não gostam? Encomendem a roupa na net e dêem o dinheiro que gastariam numa loja em Portugal, a uma loja que não contribuiu em nada para a economia nacional tipo Debenham's, Banana Republic, Asos, Ann Klein, Topshop...
As marcas Portuguesas como a Throttleman ou a Red Oak (que já eram), a Lanidor, a Red Globe (consta que já viram dias melhores), a Sacoor ou a Salsa nunca tiveram secção Petite. Apesar de terem origem no País das mulheres baixinhas e terem um público-alvo com uma média de altura de 1,62 m, continuam a insistir em fazer roupa à medida da Europeia média que nunca lhes vai comprar nada.
As mulheres Portuguesas mais altas têm dificuldades em encontrar calças suficientemente compridas ou vestidos que não pareçam túnicas... mas essas Portuguesas são uma minoria. Mesmo assim, seriam um nicho de mercado.
Agora, ignorar a maioria é capaz de não ser uma opção de negócio muito rentável.
Imaginem que a Banana Republic abre uma loja em Portugal e faz uma fortuna por ter uma versão petite de grande parte da colecção. Depois há lojas que fecham porque perdem clientes e queixam-se que ninguém compra o que é Português. É verdade que a roupa nacional é melhor. Mas se eu comprar uma camisola muito boa que parece roubada do armário do meu pai, se calhar acaba por ser má compra...
 E que tal se as marcas Portuguesas se lembrassem que estão a vender roupa em Portugal?

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Isto de opinar é muito difícil

O Gustavo Santos é apresentador de televisão e convenceu-se, a si e a muita gente, que é uma espécie de guru da auto-ajuda. Não, engano meu, é coach!
E até aqui, tudo certo.
Só que convenceu-se também que conseguia opinar sobre a actualidade. Pronto, é a liberdade de expressão. Até aqui tudo bem. Ele consegue opinar. Ele pode opinar. É a tal liberdade de expressão. Não consegue é formular um raciocínio lógico. Pronto... são limitações. Eu nunca conseguirei tocar piano... Cada um tem as suas limitações.
Então o Gustavo (que até é um rapaz simpático e tem muito jeito para apresentar o "Querido, mudei a casa"), veio dizer que a liberdade de expressão é muito gira mas não abusemos senão ainda somos baleados à força toda. Há que ter cuidado porque temos de respeitar todas as crenças, sejam as que forem, e não ofender ninguém.
Pois... mas se não pudermos ofender ninguém, não temos liberdade de expressão. E sim, isto também é válido para quem entender ofender os meus progenitores. Claro que depois temos liberdade para respondermos à ofensa, ignorarmos ou até acusar o ofensor de difamação e injúrias. Mas se limitarmos a liberdade de expressão, ela deixa de ser liberdade.
Só que o Gustavo acha que devemos permitir que o Sr. radical islâmico nos estabeleça limites porque não o queremos ofender.
Então com quem é que se pode gozar? Com os Políticos? Isso também é gozar com convicções alheias.
Podemos gozar com futebolistas, treinadores e dirigentes desportivos? Não porque eu sou Sportinguista e ofendem-me se imitarem a voz de bagaço do Presidente do meu clube!
Pronto, não há humor para mais ninguém. Se quiserem rir, vejam vídeos de cãezinhos a perseguirem a sua cauda. Ah não. Isso ainda pode ofender algum defensor dos animais mais radical. Ai de nós! Ainda levamos com um bloco de tofu na tromba! Ups, na cara. Tromba têm os paquidermes que são bichos imponentes e adoráveis. E acho que entretanto também ofendi os vegetarianos! Não acerto uma.
Mas como se não bastasse ter dito disparate, o Gustavo escreveu, de seguida, uma carta aberta em que se tenta justificar.
Foi pior a emenda que o soneto.
Em suma, o que acabou por dizer foi que os jornalistas assassinados andavam um bocado distraídos a ostentar a sua sátira! Toda a gente sabe que quando se anda por aí a mostrar que se tem uma sátira jeitosa, está-se mesmo a pedir para falecer às mãos duns radicais que não conseguem evitar sê-lo.
É que o terrorista são como as pessoas com Síndrome de Tourette. São tiques... Agarram nas armas e os dedos começam a ter espasmos no gatilho enquanto apontam o cano a um cartoonista... ou um polícia...

sábado, janeiro 03, 2015

Perfumómetro

Ai não se pode fumar nos restaurantes? Também não se devia poder entrar num restaurante a deixar um rasto de perfume de 2 metros!
É que, parecendo que não, o olfacto é um sentido importante na degustação de comidinha e eu gostava de poder manter o olfacto durante toda a refeição sem que a senhora sentada na mesa ao lado me entupisse as narinas de perfume. É que chega a estragar uma refeição. A sério.