sábado, janeiro 31, 2015

As piores clientes do Mundo

Ontem li um artigo do António José Saraiva sobre a pior vendedora do Mundo:
http://sol.pt/noticia/123005
Hoje fui à Kiehl's do Chiado e lembrei-me deste artigo. Não por ter sido mal atendida, mas pela descrição das senhoras chatas que pediam para desarrumar metade da loja e saíam sem levar nada. Só que neste caso não era uma senhora. Era uma jovem que nem 30 anos devia ter, mas queria desesperadamente manter a mesma cara até aos 70. Enquanto pagava uns 3 artigos, perguntava por mais um creme, se era mais forte, se era mais hidratante, se era como o creme de olhos que ela tinha levado... A funcionária respondia, explicava, debitava todos os ingredientes de cada creme... e a fila atrás da menina mantinha-se imóvel.
E o calor insuportável dentro da loja fazia as restantes clientes perderem 1L de água à hora. Mas ela já tinha experimentado o creme xpto e não era hidratante... ou era demasiado hidratante... vá-se lá saber... E a fila desesperava. Respiro fundo e desabafo, entredentes, que nem com os cremes todos da loja, vai passar a ter a cara da Gisele Bündchen. Mas havia sempre mais uma questão sobre esse tema fracturante que é a hidratação.
E quando finalmente a jovem ritifóbica desampara a loja, as clientes à minha frente são atendidas e em menos de 10 minutos estou na rua.
Acho que a criatura chata é neta das senhoras descritas pelo António José Saraiva e ser uma pica-miolos no comércio é um problema genético.


sábado, janeiro 24, 2015

Lei de Jante

Ontem, enquanto via o episódio do Parts Unknown em Copenhaga, descobri a Lei de Jante.
Já estive em Copenhaga e em Estocolmo mas, obviamente que sem privar com locais e fazendo só uma escapadinha de 4 ou 5 dias, não dá para conhecer a cultura escandinava suficientemente bem. Ficamos com uma ideia...
Sim, é verdade que basta entrar em Christiania para se perceber que estamos noutro mundo mas Christiania não é, de todo, o espelho de Copenhaga, quanto mais da Escandinávia.
Ora, voltando à Lei de Jante, trata-se duma norma informal com dez regras:

  1. Não pensarás que és especial.
  2. Não pensarás que estás no mesmo patamar que nós.
  3. Não pensarás que és mais inteligente que nós.
  4. Não acreditarás que és melhor que nós.
  5. Não pensarás que sabes mais que nós.
  6. Não pensarás que és mais importante que nós.
  7. Não pensarás que és bom em alguma coisa.
  8. Não rirás de nós.
  9. Não pensarás que nós nos importamos contigo'.
  10. Não pensarás que nos podes ensinar alguma coisa'.
Aparentemente, esta lei está implícita na cultura escandinava. Claro que o facto de serem Luteranos influencia tanto ou mais esta cultura. Terem uma população altamente educada também é capaz de ajudar. De acordo com dados da OCDE, 77% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio enquanto que em Portugal, só 35% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. Ouch! Deve ter sido por isso que Salazar foi considerado o maior Português de sempre.
Ainda há uns tempos li um artigo (que agora não consigo encontrar) que defendia precisamente que os índices de corrupção mais elevados e consequente atraso económico estavam relacionados com a cultura católica que privilegiava o eu em função dos outros. Ou seja, em primeiro lugar estou eu, depois a minha família e só por fim estão os outros.
Nos países de tradição protestante, os outros vêm em primeiro lugar, depois a família e, por fim, o individuo.
O típico "chico-espertismo" tuga implica precisamente que o indivíduo se acha especial, mais esperto que os outros, logo melhor que eles porque acha que sabe mais e ainda se fica a rir dos burros que atropelou com o seu "chico-espertismo". Só que como já muita gente percebeu, este "chico-espertismo" acaba por ser um tiro no pé porque favorecer o clã através das cunhas significa frequentemente que a competência e os serviços prestados vão ser sacrificados. E como se sabe, a incompetência custa dinheiro... e não é pouco!
A evasão fiscal e a corrupção também nos custam muito dinheiro... a todos!
Mas sabem qual é o argumento para justificar que não aprendemos nada com os Escandinavos? Que esse pessoal se suicida à força toda. Se fosse tudo assim tão bom, não estavam sempre a matar-se. Isso é tudo muito giro mas eles não têm o nosso sol nem o nosso clima.
O facto da Dinamarca ser o país mais feliz do Europa não conta para nada. Feliz mesmo é que tem o nosso sol!

sábado, janeiro 17, 2015

A mania das grandezas das marcas Portuguesas

Somos o país mais baixo da Europa e mesmo assim as marcas Portuguesas não têm secção petite.
Mas as marcas Portuguesas acham que somos holandesas ou suecas?
Porque é que cabem duas Portuguesas pequenas num S da Lanidor?
A altura média da mulher Portuguesa é 1,62 m, ou seja, é pequena! Haverá ainda mais pequenas tal como haverá bastante maiores mas devíamos usar 1,62 m como referência.
Querem roupa em que não precisam de fazer bainha e todas as pregas e ganchos ficam no sítio certo? Passem no El Corte Inglés onde têm uma pequena secção petite com roupa horrorosa. Não gostam? Encomendem a roupa na net e dêem o dinheiro que gastariam numa loja em Portugal, a uma loja que não contribuiu em nada para a economia nacional tipo Debenham's, Banana Republic, Asos, Ann Klein, Topshop...
As marcas Portuguesas como a Throttleman ou a Red Oak (que já eram), a Lanidor, a Red Globe (consta que já viram dias melhores), a Sacoor ou a Salsa nunca tiveram secção Petite. Apesar de terem origem no País das mulheres baixinhas e terem um público-alvo com uma média de altura de 1,62 m, continuam a insistir em fazer roupa à medida da Europeia média que nunca lhes vai comprar nada.
As mulheres Portuguesas mais altas têm dificuldades em encontrar calças suficientemente compridas ou vestidos que não pareçam túnicas... mas essas Portuguesas são uma minoria. Mesmo assim, seriam um nicho de mercado.
Agora, ignorar a maioria é capaz de não ser uma opção de negócio muito rentável.
Imaginem que a Banana Republic abre uma loja em Portugal e faz uma fortuna por ter uma versão petite de grande parte da colecção. Depois há lojas que fecham porque perdem clientes e queixam-se que ninguém compra o que é Português. É verdade que a roupa nacional é melhor. Mas se eu comprar uma camisola muito boa que parece roubada do armário do meu pai, se calhar acaba por ser má compra...
 E que tal se as marcas Portuguesas se lembrassem que estão a vender roupa em Portugal?

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Isto de opinar é muito difícil

O Gustavo Santos é apresentador de televisão e convenceu-se, a si e a muita gente, que é uma espécie de guru da auto-ajuda. Não, engano meu, é coach!
E até aqui, tudo certo.
Só que convenceu-se também que conseguia opinar sobre a actualidade. Pronto, é a liberdade de expressão. Até aqui tudo bem. Ele consegue opinar. Ele pode opinar. É a tal liberdade de expressão. Não consegue é formular um raciocínio lógico. Pronto... são limitações. Eu nunca conseguirei tocar piano... Cada um tem as suas limitações.
Então o Gustavo (que até é um rapaz simpático e tem muito jeito para apresentar o "Querido, mudei a casa"), veio dizer que a liberdade de expressão é muito gira mas não abusemos senão ainda somos baleados à força toda. Há que ter cuidado porque temos de respeitar todas as crenças, sejam as que forem, e não ofender ninguém.
Pois... mas se não pudermos ofender ninguém, não temos liberdade de expressão. E sim, isto também é válido para quem entender ofender os meus progenitores. Claro que depois temos liberdade para respondermos à ofensa, ignorarmos ou até acusar o ofensor de difamação e injúrias. Mas se limitarmos a liberdade de expressão, ela deixa de ser liberdade.
Só que o Gustavo acha que devemos permitir que o Sr. radical islâmico nos estabeleça limites porque não o queremos ofender.
Então com quem é que se pode gozar? Com os Políticos? Isso também é gozar com convicções alheias.
Podemos gozar com futebolistas, treinadores e dirigentes desportivos? Não porque eu sou Sportinguista e ofendem-me se imitarem a voz de bagaço do Presidente do meu clube!
Pronto, não há humor para mais ninguém. Se quiserem rir, vejam vídeos de cãezinhos a perseguirem a sua cauda. Ah não. Isso ainda pode ofender algum defensor dos animais mais radical. Ai de nós! Ainda levamos com um bloco de tofu na tromba! Ups, na cara. Tromba têm os paquidermes que são bichos imponentes e adoráveis. E acho que entretanto também ofendi os vegetarianos! Não acerto uma.
Mas como se não bastasse ter dito disparate, o Gustavo escreveu, de seguida, uma carta aberta em que se tenta justificar.
Foi pior a emenda que o soneto.
Em suma, o que acabou por dizer foi que os jornalistas assassinados andavam um bocado distraídos a ostentar a sua sátira! Toda a gente sabe que quando se anda por aí a mostrar que se tem uma sátira jeitosa, está-se mesmo a pedir para falecer às mãos duns radicais que não conseguem evitar sê-lo.
É que o terrorista são como as pessoas com Síndrome de Tourette. São tiques... Agarram nas armas e os dedos começam a ter espasmos no gatilho enquanto apontam o cano a um cartoonista... ou um polícia...

sábado, janeiro 03, 2015

Perfumómetro

Ai não se pode fumar nos restaurantes? Também não se devia poder entrar num restaurante a deixar um rasto de perfume de 2 metros!
É que, parecendo que não, o olfacto é um sentido importante na degustação de comidinha e eu gostava de poder manter o olfacto durante toda a refeição sem que a senhora sentada na mesa ao lado me entupisse as narinas de perfume. É que chega a estragar uma refeição. A sério.