sábado, novembro 21, 2015

Disparates da semana

"Ele lá conseguiu vincar na vida"

"Tivemos aqui uma estagiária durante 2 anos. Não lhe pagámos mas eu ajudei a miúda a escolher o melhor sítio para fazer um curso de formadores quando saiu daqui. Hoje para ela, amanhã para mim. É uma forma de estar na vida..."

Conversa dum casal com bebé para um casal sem bebé:
- Ela estava na sala de partos e eu só pensava em arranjar uma geleira. Pedi à minha mãe que fosse à Decathlon comprar uma. A única coisa que ela me pediu foi uma geleira para guardar a placenta. Se falhasse nisso, falhava em tudo.
- Comer a placenta ajuda a combater a depressão pós-parto. Guardei-a no frigorífico e punha em batidos, por exemplo.

domingo, novembro 15, 2015

Solidariedade temporária?!?!

Mesmo quando parece consensual que um ataque terrorista é um acto criminoso hediondo e que todos os seres humanos se sentem chocados pelo assassínio de inocentes, há quem esteja tão habituado a ser do contra que tem sempre de arranjar uma justificação para não concordar com a maioria.
Têm uma foto com as cores da França no perfil do Facebook? Isso e só temporário... é como a vossa solidariedade.
Solidariedade temporária? A sério? Acham mesmo que podem criticar as pessoas que mostram solidariedade com as vítimas do terrorismo porque para a semana mudarão a foto do Facebook? Quão fútil é este argumento? Até nestas alturas têm de dizer mal dos outros? O mais importante aqui é mesmo a foto que cada um põe no Facebook? A sério?
Lembram-se onde estavam quando souberam dos atentados de 11 de Setembro? Eu lembro-me muito bem. A minha família também. Os meus amigos também e os meus colegas também. Claro que não tínhamos 5 anos... O mundo mudou nesse dia e seguiram-se atentados em Londres e Madrid que demostraram que o 11 de Setembro não tinha sido um caso isolado e que o resto do Mundo não podia continuar autista a achar que os conflitos e os extremismos no Médio Oriente eram questões regionais. Só que na altura não havia Facebook. Se houvesse, veriam certamente muitas imagens de solidariedade. Seria uma solidariedade temporária também? Alguém se esqueceu de algum destes atentados? E agora alguém banalizou o atentado do Líbano ou de Bagdad?
Os atentados de ontem foram tão graves como os que são feitos pelo resto do Mundo. Não há nacionalidades mais importantes que outras, obviamente. Mas o auto-denominado Estado Islâmico, que no seu nome já se declara teocrático, atacou o berço do Estado laico.
A Revolução Francesa, que se celebra na data da tomada da Bastilha (que delimita precisamente o 11e arrondissement), foi fundamental na separação entre religião e Estado, precisamente o oposto que estes terroristas tentam impor. Além disso, marca o ínicio da Era Contemporânea. Atacar Paris também tem esta carga simbólica.
Mas vamos lá dizer mal das pessoas que mostram solidariedade com os Franceses no Facebook tentando ostentar uma superioridade intelectual que não têm! Isso sim é verdadeiramente importante!

terça-feira, novembro 10, 2015

Sobre a queda do governo

Tenho o feed de notícia do Facebook empestado de insultos e palavrões porque o governo caiu. Pessoas que nunca escreveram qualquer conteúdo político manifestam a sua opinião como se tivesse acabado um Benfica-Sporting com uma goleada.
Não, não me refiro apenas a apoiantes da PAF...
Para todos vós, recém-chegados ao mundo da Política, deixo-vos uma regra muito simples: Política não é troca de insultos, não é uma batalha de bocas nem uma guerra de palavrão. Falar de política é partilhar as nossas convicções e discutir ideias. Se as vossas ideias políticas se limitam a vocabulário sinónimo de alguma das palavras na lista abaixo, dediquem-se a qualquer outra actividade ou ocupem-se a adquirir conhecimento que vos permita ter ideias:
Nojentos, ladrões, asno, tacho, esquerdalha, direitola, aziado, inergume (e qualquer erro órtográfico em geral), energúmeno, zé-ninguém, esganiçadas (ou quaquer comentário machista, racista ou homofóbico), eskumalha (entra numa categoria particularmente irritante do erro ortográfico).
A utilização deste vocabulário é permitida apenas a detentores de conhecimento político provado, comprovado e reconhecido nos casos em que estiverem profundamente revoltados, ou em legítima defesa quando a resposta às vossas ideias for um ou mais sinónimos da lista acima. Para quem tem o super-poder da abstracção e consegue alhear-se de insultos, tenham a minha reverência ó almas iluminadas... ou preguiçosos, se calhar são só demasiado preguiçosos...

domingo, novembro 08, 2015

Disparates da semana

Vou inaugurar uma nova rúbrica em que escrevo as frases mais disparatadas que ouvi durante a semana.

Começo com uma frase ouvida na manicure às 19h30 dum dia de semana:
- Não me ponha creme nesses dedos que eu ainda tenho de ir picar o ponto.

Ouvido na Corrida "Sempre Mulher":
- Mandei-o comprar castanhas e água-pé e ele gastou mil Euros!
(digo eu que a senhora se deve estar a esquecer que, pelo caminho, o senhor em questão comprou um televisor ultra HD com tecnologia 3D e ecrã curvo)
- Para trabalhar, vocês não têm pressa! - pessoa que caminhava e era ultrapassada pelas pessoas que corriam porque, tal como o nome do evento indica, trata-se duma corrida...


sábado, novembro 07, 2015

Ser de direita não te torna fino

Sabem aquelas pessoas que são de esquerda porque querem parecer rebeldes e os que são de direita para parecerem finos? Tenho uma informação para essas pessoas: isso é estúpido!
Uma ideologia política tem a ver com convicções, não tem a ver com aparências.
Dizerem-se de esquerda para parecerem rebeldes e consumirem drogas leves é incoerente se forem xenófobos e contra o casamento homossexual.
Serem de direita mas reclamarem que os serviços públicos deviam ter melhor qualidade e mais funcionáros para satisfazerem as necessidades dos utente, não faz sentido. Tal como não faz sentido revoltarem-se com os 5 contratos de trabalho que já vos fizeram sem vos passarem a efectivos e depois continuarem a votar em programas de governo ultra-liberais. Querem que o Estado continue a garantir serviços de qualidade? É preciso que o Estado gaste dinheiro nesses serviços... Querem passar a efectivos depois de 6 meses porque já provaram que são funcionários competentes? É preciso que o Código do Trabalho mude.
Depois dizem coisas assim:  "Ah, mas eu sou muita católica, quero imenso ter 5 filhos e isso é de direita!".
Ser católico não é incompatível com a esquerda. Aliás, parece-me batante estranho que um católico se oponha a uma redistribuição da riqueza mais justa para que todos possam viver com dignidade só porque têm medo que os subsídios do Estado sejam entregues a grupos étnicos conotados com o crime de contrafacção... A menos que achem que a única redistribuição de riqueza válida seja a caridadezinha cristã... Aí talvez de identifiquem mais com um CDS-PP...
Sim, não vão encontrar a democracia cristã nem no Bloco nem no PCP... Mas se tiverem um emprego e quiserem gozar uma licença de maternidade maior, prolongar a licença de amamentação ou garantir que o pai da criança não tem só 15 dias para gozar a licença de parentalidade, talvez estejam mais interessadas no programa dos Partidos da esquerda... Se não conseguirem pagar o ensino privado aos filhotes a partir do terceiro rebento e tiverem de os matricular na escola pública, se calhar preferem uma escola pública com boas condições, professores motivados e ensino de qualidade. E isso não se faz com programas que promovem o desinvestimento na educação.
Agora, se te borrifas para a igualdade de géneros e para a cultura ou achas perfeitamente legítimo que o bilhete mais barato para o São Carlos custe 100 EUR porque pobre não gosta de Verdi... Aí és o Caco Antibes:


Se, em vez disso, achas que os ricos é que devem pagar a crise, que ter dois pais ou duas mães é melhor que não ter nenhum e que não devia ser preciso gastar metade dum ordenado médio em material escolar, talvez te inclines mais para a esquerda...
Mas, independentemente das convicções, é preciso que não vejam a política como um clube de futebol. Não é suposto votarem sempre nos mesmos só porque já os vossos antepassados o faziam. Aliás, a volatilidade eleitoral até é uma característica dos eleitores mais informados.
E só mais uma informação... de acordo com vários perfis sociodemográficos do eleitorado tuga, sabem quem é que é tradicionalmente de direita? Os eleitores com menor grau de escolaridade.
Os eleitores de direita já estão todos assanhados porque lhes chamei analfabetos. Não, isso seria uma falácia. Lá porque as pessoas com graus de escolaridades mais baixos votam tradicionamente na direita, não significa que os eleitores de direita sejam todos iletrados. Só quero explicar que essa ideia que gente fina vota à direita é falsa.
Por outro lado, o Bloco de Esquerda costuma ter uma maior percentagem de eleitores com nível de ensino superior. Se calhar não são só os miúdos que frequentam festivais que vão à urna votar no Bloco...

domingo, novembro 01, 2015

Quem gosta de receber souvenirs?

Questiono-me porque é que as pessoas oferecem souvernirs. Que utilidade tem um copo de shot a dizer Mallorca ou um conjunto de mini sabonetes de Bali?
Pronto, significa que aquela pessoa foi de férias mas não se alheou completamente do Mundo e lembrou-se que existimos. Sempre que virmos aquele souvenir, relembramo-nos que o nosso familiar fez férias naquele destino escrito na peça de artesanato Cabo Verdiana que não sabemos se fica melhor na sala em frente a televisão ou no quarto junto ao despertador. Sejamos sinceros, aquela peça mal acabada pode ter ajudado o artista a por uma refeição na mesa da família mas não fica bem em lado nenhum da nossa casa, onde não temos bibelots. Se eu não tenho um gatinho de loiça por cima do DVD, porque é que vou ter um sapinho da Tailândia?
Para a maioria de nós, os souvenirs vão todos parar a uma gaveta qualquer e nunca mais nos lembramos que lá estão. A menos que façam colecção de postais ou ímans, os únicos souvenirs que talvez tenham utilidade são as t-shirts.
Confesso que até gosto dum chocolatinho suiço, duns bombons Leonidas ou dumas wafers da República Checa mas juro que não me ofendo nada se forem passear e não me comprarem uma prenda.
E se a maioria das pessoas não ligar nenhuma a souvenirs mas continua a oferecê-los porque acha que os outros até gostam de os receber? E se o conceito de oferecer souvenirs for um mito que ninguém vai desmascarar para não ferir susceptibilidades? Nunca saberemos porque ninguém vai dizer:
- Oh Joana, ainda bem que te divertiste na tua lua-de-mel mas este mini sombrero decorativo que me trouxeste de Cancun é tão piroso que nunca verá a luz do dia em minha casa...